Avanço da colheita de milho em Mato Grosso confirma quebra de produção

segunda-feira, 11 de julho de 2016 14:28 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O avanço da colheita de milho em Mato Grosso, principal Estado produtor do país, consolida as previsões de baixas produtividades feitas mais cedo na temporada e apontam para resultados cada vez piores à medida que as máquinas avançam.

Dados compilados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) a pedido da Reuters mostram que a produtividade média das lavouras colhidas na semana até 7 de julho ficou em 81 sacas de milho por hectare, ante um rendimento que chegou a superar 110 sacas na semana até 26 de maio.

Segundo o Imea, as colheitadeiras têm registrado queda no rendimento médio das plantações semana após semana, desde o início de junho. Nesse período foram colhidas as lavouras que foram afetadas por uma forte estiagem no mês de abril.

"A expectativa agora é exatamente colher o milho que mais foi prejudicado por toda a situação de clima. O milho plantado mais tarde sofreu mais", disse o superintendente do Imea, Daniel Latorraca.

Relatório divulgado na sexta-feira pelo Imea mostra que a área colhida em Mato Grosso já ultrapassa um terço do total plantado.

"Algumas lavouras vão ser colhidas apenas para não atrapalhar a próxima safra de soja. O que vai se colher paga apenas o diesel para rodar as máquinas", disse o produtor rural Adelmo Zuanazzi, delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) em Sinop, no norte do Estado.

Na semana passada, o Imea reduziu a previsão para a safra 2016 de milho do Estado em 1 milhão de toneladas, para 20,2 milhões de toneladas. Na comparação com 2015, a previsão é de uma quebra de 27 por cento nas produtividades.

A entidade, ligada aos produtores rurais, revelou que trabalha em um levantamento sobre as áreas que serão abandonadas, ou seja, foram plantadas mas não serão colhidas.   Continuação...