Venda de cimento no Brasil cai em junho, setor aguarda retomada de infraestrutura

segunda-feira, 11 de julho de 2016 18:31 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As vendas de cimento no Brasil em junho recuaram 14,7 por cento sobre um ano antes e o movimento em julho segue apontando para baixo segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo sindicato que representa os fabricantes do setor, Snic.

O volume de cimento comercializado em junho no país foi de 4,7 milhões de toneladas, pouco acima das 4,6 milhões de toneladas de maio. No semestre, as vendas caíram 14 por cento sobre um ano antes, a cerca de 28 milhões de toneladas e dentro da faixa de previsão de queda em 2016, de 12 a 15 por cento.

"Estamos vendo queda no começo de julho também. Não tem nada que indique uma reversão da tendência, uma vez que as obras de infraestrutura estão paradas e as de habitação não estão sendo repostas", disse o presidente do Snic, José Otavio Carvalho.

Para o segundo semestre, ele acredita que as vendas poderão apresentar um recuo menor sobre mesmo período de 2015, mas por um efeito estatístico.

"Não há nada que indique que já chegamos ao fundo do poço. As condições macroeconomicas que levaram ao boom do consumo na década de 2005 a 2014 foram perdidas. Não temos ainda o restabelecimento de variáveis como emprego, renda, juro e inflação baixa", afirmou Carvalho.

"É preciso uma certa estabilidade política e econômica que permita aos investidores terem confiança para investir", disse.

Nesta segunda-feira, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, disse à Reuters que no fim de julho haverá a primeira reunião do conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que decidirá sobre o primeiro lote de concessões do governo Temer e mudanças no modelo de leilões de infraestrutura.

Segundo o ministro, garantidos nesse primeiro lote estão as concessões de quatro aeroportos - Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) - e dos terminais de passageiros nos portos de Recife (PE) e Fortaleza (CE).

Projetos que podem entrar no leilão, como a ferrovia Norte-Sul e o trecho entre Goiás e Minas Gerais das BRs 364 e 365, dependem de ajustes e conversas com investidores.

(Por Alberto Alerigi Jr.)