Demanda por energia elétrica cai menos que previsto, dizem operadores; preços sobem

terça-feira, 12 de julho de 2016 16:46 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A demanda por energia elétrica tem caído em ritmo inferior ao previsto anteriormente neste ano, o que deverá forçar o governo a rever projeções anteriores, com impacto nos preços da eletricidade negociada tanto no mercado spot quanto em contratos de longo prazo, afirmaram operadores à Reuters.

Essa perspectiva, inclusive, já movimentou o mercado livre de eletricidade, no qual grandes clientes, como indústrias, negociam contratos diretamente com usinas de geração ou comercializadoras-- o preço dos contratos convencionais para 2017 subiu quase 15 por cento na última semana, para cerca de 150 reais por megawatt-hora.

Em maio, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projetaram uma redução de 2,4 por cento na carga de energia neste ano frente a 2015.

Mas a comercializadora de energia América, por exemplo, trabalha com cenário no qual 2016 fecharia com carga estável ante o ano passado ou com queda inferior a 1 por cento.

"A carga teria que cair uma enormidade no segundo semestre para reduzir o que estava previsto (por EPE e ONS). Não é o caso, não é o caso mesmo, até porque agora o país está em um compasso de espera para melhorar. Cair mais não vai", afirmou o presidente da América, Andrew Frank.

As projeções oficiais de EPE e ONS são utilizadas para calcular os preços spot da energia elétrica, também conhecidos como Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que influenciam também as cotações de prazo mais longo.

"Se mexerem na carga que hoje está no modelo... o PLD aumentaria. É isso que no momento está inflacionando o valor da energia... O preço de longo prazo que vinha até então em 130 reais por megawatt-hora já inflacionou para 150 reais por megawatt-hora", disse o diretor comercial da Iguaçu Energia, Laudenir Pegorini.

As projeções oficiais são atualizadas a cada quatro meses, mas já há no mercado quem aposte que essa mudança de cenário no consumo pode apressar a revisão.   Continuação...