Governo do Japão reduz projeção de inflação em golpe ao banco central

quarta-feira, 13 de julho de 2016 08:39 BRT
 

Por Stanley White e Minami Funakoshi

TÓQUIO (Reuters) - O governo do Japão cortou nesta quarta-feira suas estimativas para os preços ao consumidor e para o crescimento econômico em um golpe ao ambicioso projeto do banco central de alcançar inflação de 2 por cento com fortes compras de dívida do governo.

O governo prevê que os preços ao consumidor irão subir 0,4 por cento no atual ano fiscal que termina em março de 2017, contra alta de 1,2 por cento projetada em janeiro.

O governo também estima que os preços ao consumidor subirão 1,4 por cento no ano fiscal de 2017, bem abaixo da meta de 2 por cento que o banco central diz que será atingida durante esse ano fiscal que acaba em março de 2018.

A revisão reflete um crescimento econômico mais fraco do que o esperado, queda nos preços do petróleo e o iene forte, que está pressionando para baixo os custos da importação.

Para a economia, a expectativa é de expansão de 0,9 por cento no atual ano fiscal, contra crescimento de 1,7 por cento projetado em janeiro.

Os cortes desta quarta-feira devem alimentar expectativas de que o Banco do Japão vai reduzir suas próprias projeções na reunião deste mês e ampliar o afrouxamento monetário para tentar convencer as famílias e as empresas de que a economia não vai voltar para a deflação.

O governo normalmente produz estimativas econômicas e de preços em janeiro, que servem como base para compilar o orçamento estatal, e as revisa por volta do meio do ano.

Os mercados especulam que o Banco do Japão vai cortar suas previsões de inflação e expandir seu programa de estímulos na revisão dos juros em 28 e 29 de julho, uma vez que o peso do iene forte e do consumo fraco sobre as exportações somou-se às pressões sobre a economia e os preços.

Em suas últimas projeções feitas em abril, o banco central prevê que o núcleo da inflação ao consumidor ficará em 0,5 por cento no ano fiscal de 2016 e em 1,7 por cento no ano seguinte.

 
Bandeira nacional japonesa vista na sede do banco central, em Tóquio.     15/03/2016       REUTERS/Toru Hanai