ENTREVISTA-Ser Educacional mira aquisições e ensino a distância após perder disputa pela Estácio

quarta-feira, 13 de julho de 2016 17:36 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Ser Educacional se vê em uma posição relevante para realizar fusões e aquisições no setor de ensino superior privado ao menos nos próximos dois anos, período em que as rivais Kroton e Estácio estarão ocupadas para selar sua união, e trabalha para crescer no ensino a distância (EAD).

"A gente fica sozinho no mercado (de fusões e aquisições)", disse à Reuters o diretor-presidente da Ser Educacional, Jânyo Diniz.

Na sexta-feira passada, terminou uma disputa entre Ser e Kroton pela Estácio que durou pouco mais de um mês, quando o Conselho de Administração da empresa cortejada pelas rivais recomendou aos acionistas que aprovem a oferta final apresentada pela Kroton.

Na segunda-feira, a Ser, com sede em Recife (PE), informou ao mercado que encerrou sua proposta para combinação dos negócios com a Estácio, que previa troca de ações e um pagamento de 1 bilhão de reais em dividendos extraordinários aos acionistas da Estácio.

Para Diniz, Estácio e Kroton estarão focadas na aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo e de Defesa Econômica (Cade) e na integração de suas operações, abrindo caminho para uma maior atividade de fusões e aquisições pela Ser Educacional.

A outra empresa de ensino superior listada em bolsa é a Anima, mas ela atua com instituições de ensino de perfil mais elevado, cobrando mensalidade mais cara, em um nicho de mercado diferente de Kroton, Estácio e da própria Ser.

"As instituições de ensino que não estavam oficialmente à venda acabaram nos procurando. A gente acabou virando uma alternativa para todo mundo que não quer o bloco Kroton-Estácio. A gente passa a ter mais oportunidades de M&A do que tinha antes", disse Diniz, usando a sigla em inglês para fusões e aquisições.

Com o pagamento das parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) pelo governo federal regularizado, o caixa da Ser também não fica comprometido, segundo o executivo. A Ser encerrou março, dado mais recente disponível, com 226 milhões de reais em caixa.   Continuação...