ANÁLISE-Mercado aposta em Eletrobras sem políticos e ações disparam, mas talvez cedo demais

quinta-feira, 14 de julho de 2016 16:30 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado dá claros sinais de que comprou a promessa do governo interino de Michel Temer de promover uma gestão técnica na estatal Eletrobras, o que puxou uma disparada superior a 50 por cento nos papéis da elétrica em pouco mais de três semanas, tocando uma máxima histórica.

Alguns analistas do setor, no entanto, ressaltam que a euforia ignora questões como a possibilidade, mesmo que remota, de retorno da presidente afastada Dilma Rousseff, além do enorme desafio de levantar uma companhia que ainda tem uma série de problemas a serem resolvidos.

Maior empresa de geração e transmissão de energia do Brasil, com empreendimentos que vão de mega hidrelétricas na Amazônia a usinas nucleares, a Eletrobras acumulou mais de 30 bilhões de reais em prejuízos nos últimos quatro anos, além de obras atrasadas e pendências financeiras.

Contudo, o mau desempenho é largamente atribuído à intervenção do governo, que nos últimos anos escalou a companhia para tocar projetos com baixa rentabilidade e viabilizar reduções nas tarifas de energia.

Na aposta contra a interferência na estatal, o mercado tem se fiado no novo presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr, ex-executivo da maior elétrica privada do país, a CPFL Energia, e no consultor Vicente Falcone, que deve presidir o Conselho de Administração.

Desde que foi noticiado que Ferreira Jr assumiria a estatal, em 21 de junho, as ações preferenciais da companhia acumulam alta de cerca de 52 por cento.

"Esse é um time que já fez história no mercado de energia. São pessoas que acredito que vão lá para fazer a coisa certa, e não para fazer política... Ou seja: não fazer mais investimento errado, não vão vender mais energia a preços subsidiados", afirmou à Reuters o analista de energia da Haitong Securities, Sérgio Tamashiro.

Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro, as interferências políticas têm sido uma verdadeira "sangria" nos resultados da elétrica, mas isso pode mudar.   Continuação...