ENTREVISTA-Serra mira novos acordos e diz que maior valorização do real pode afetar competitividade

sexta-feira, 15 de julho de 2016 12:46 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - De olho no comércio internacional, no qual o Brasil é ainda uma força muito pequena, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse que uma maior valorização do real pode afetar a competitividade brasileira, e reiterou que pretende perseguir novos acordos comerciais, inclusive com os países da Aliança do Pacífico e com os Estados Unidos.

Senador e candidato à Presidência por duas vezes pelo PSDB, Serra concordou em assumir a política externa do presidente interino de Michel Temer com a condição de levar consigo boa parte da ação de comércio exterior do governo.

É nessa área que tem centrado seus esforços, conseguindo até mesmo convencer Temer de fazer sua primeira viagem internacional à China, maior parceiro comercial do Brasil, no início de setembro.

Em entrevista à Reuters, que incluiu também respostas por escrito a questões enviadas previamente, Serra disse esperar que a taxa de câmbio se mantenha “competitiva para a economia brasileira” e acreditar que a tendência seja essa, mas se recusou a dar o valor que considera ideal.

Em resposta por escrito, disse esperar que a apreciação do real, de mais de 30 por cento desde meados de janeiro, “fique por aí”.

“Realmente, seria muito ruim se o real se valorizasse excessivamente, pois os níveis atuais apenas compensaram a sobrevalorização que vimos em um período relativamente recente”, afirmou.

Ao analisar o comércio mundial, o ministro afirmou que um efeito da saída do Reino Unido da União Europeia poderá ser, no curto prazo, o fortalecimento do protecionismo na região, insuflado por movimentos nacionalistas.

Mas diz que o Brasil não pode se deixar envolver pela ideia do desaquecimento do comércio global, já que tem hoje participação muito pequena no comércio internacional, de pouco mais de 1 por cento. “É uma armadilha você dizer ‘não vai dar’”, afirmou.   Continuação...

 
Serra, no Itamaraty
14/7/2016. REUTERS/Adriano Machado