Ações judiciais e crédito escasso podem dificultar venda da Cesp, dizem analistas

segunda-feira, 18 de julho de 2016 17:02 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A intenção do governo de São Paulo de retomar discussões sobre uma eventual venda de sua fatia na elétrica estatal Cesp pode esbarrar no grande número de pendências judiciais da maior usina da empresa e na falta de interessados com capacidade financeira para a aquisição no atual cenário do país, afirmaram especialistas à Reuters.

Na semana passada, o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Renato Vilella, disse que o governo paulista avaliará a venda da geradora e poderá inclusive buscar apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar uma eventual privatização.

A Cesp, que chegou a ter 11 gigawatts em 1996, foi dividida em diversas empresas desde então, além de ter visto a concessão de suas maiores hidrelétricas vencer. Atualmente, a empresa conta com apenas 1,65 gigawatt, dos quais 1,54 gigawatt são da usina Porto Primavera, que enfrenta uma série de disputas judiciais.

Segundo formulário de referência da Cesp, a usina está envolvida em ações bilionárias com risco de perda provável ou possível que pedem principalmente indenizações pela desapropriação de terras necessárias à sua construção. O empreendimento também enfrenta disputas judiciais por questões ambientais e com fornecedores.

"Porto Primavera foi um projeto muito cheio de problemas... precisaria ser muito bem trabalhado para se tornar efetivamente atraente... tem um passivo grande, complicado", afirmou à Reuters o diretor da consultoria Andrade & Canellas, Silvio Areco.

Ele disse que esse assunto era menos problemático em outras tentativas de venda da Cesp, afinal não levadas adiante, mas se torna uma questão chave agora que Porto Primavera representa quase toda a capacidade instalada da geradora paulista.

Em meio à atual crise da economia brasileira, diversas elétricas têm tentado vender ativos para gerar caixa, o que tem resultado em uma sobreoferta de negócios no setor em um momento em que ainda se vislumbram poucos grandes compradores à exceção de estatais chinesas.

Nesse cenário, Areco citou entre os possíveis interessados, além das companhias chinesas, a canadense Brookfield, que recentemente fechou aquisições no setor de energia do Brasil.   Continuação...