Recuo do BNDES no setor elétrico deve elevar preços e mudar perfil do investidor

quarta-feira, 20 de julho de 2016 16:09 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma queda nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor de energia elétrica deverá ter como principais efeitos no curto prazo a elevação dos preços em leilões de novos projetos e a redução na presença de estatais no mercado, que poderá ser dominado por grandes grupos privados, principalmente estrangeiros.

A nova presidente do banco de fomento, Maria Silvia Bastos Marques, afirmou recentemente que o BNDES deverá reduzir seu papel já nas próximas licitações de linhas de transmissão e usinas de geração, previstas para setembro e outubro deste ano, respectivamente.

A posição, segundo especialistas ouvidos pela Reuters, deverá gerar uma forte reação em um segmento em que a maior parte dos investidores contava há tempos com generosos financiamentos do banco estatal a juros atrativos.

Os desembolsos do BNDES para a indústria de eletricidade e gás atingiram máxima histórica de 22,3 bilhões de reais em 2015, ante 8,8 bilhões de reais em 2002.

"No início, isso vai dar um choque no mercado, porque todo mundo contava com o BNDES... deve reduzir bastante, no início, o ímpeto do setor, sobretudo para participação em leilões", afirmou à Reuters o ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Edvaldo Santana.

Preços maiores nos leilões resultariam em pressão altista sobre as contas de luz no futuro, quando as usinas e linhas de transmissão viabilizadas nos certames entrarem em operação.

Os investidores já reclamavam ao menos desde o ano passado de uma maior lentidão na análise de processos pelo BNDES e da participação cada vez menor do banco nos financiamentos.

Mas, para o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Reto, o discurso da nova presidente do BNDES deve oficializar esses repasses menores, o que exigirá maiores taxas de retorno --e consequentemente preços mais elevados-- para atrair os investidores e viabilizar projetos nos leilões.   Continuação...