BC mantém juro básico em 14,25% e reforça que não há espaço para cortes

quarta-feira, 20 de julho de 2016 18:28 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano em decisão unânime e em linha com expectativa dominante de especialistas, repetindo não haver espaço para corte nos juros tão cedo, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Ilan Goldfajn.

"Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária", informou o BC em comunicado com novo formato, mais extenso e pelo qual apontou riscos para o cenário de inflação, entre os quais a permanência de "incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia".

O BC também salientou que a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente, e que um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação.

Por outro lado, chamou atenção para fatores que, se concretizados, podem ajudá-lo na tarefa de combater a alta de preços na economia.

"Os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação; e o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom", trouxe o comunicado.

Pesquisa Reuters mostrou que 42 de 43 economistas consultados previram que a Selic não seria mexida agora, com avaliações de que o Copom sob a batuta de Ilan poderia reforçar o tom mais duro na condução da política monetária.

Com a decisão, a Selic segue no mesmo patamar desde julho de 2015, o mais alto em quase uma década e no período mais longo de estabilidade desde que o regime de metas foi implantado em 1999.

Ilan já vinha reforçando que o objetivo do BC é fazer com que a inflação encerre este ano dentro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais-- e que caia para o centro do objetivo em 2017, quando a banda de oscilação foi estabelecida em 1,5 ponto.

De modo geral, especialistas acreditam que o movimento de corte da Selic deve começar apenas em outubro, o que levaria o Copom a repetir a manutenção da taxa no encontro de agosto.   Continuação...