July 20, 2016 / 9:32 PM / in a year

BC mantém juro básico em 14,25% e reforça que não há espaço para cortes

3 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano em decisão unânime e em linha com expectativa dominante de especialistas, repetindo não haver espaço para corte nos juros tão cedo, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Ilan Goldfajn.

"Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária", informou o BC em comunicado com novo formato, mais extenso e pelo qual apontou riscos para o cenário de inflação, entre os quais a permanência de "incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia".

O BC também salientou que a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente, e que um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação.

Por outro lado, chamou atenção para fatores que, se concretizados, podem ajudá-lo na tarefa de combater a alta de preços na economia.

"Os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação; e o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom", trouxe o comunicado.

Pesquisa Reuters mostrou que 42 de 43 economistas consultados previram que a Selic não seria mexida agora, com avaliações de que o Copom sob a batuta de Ilan poderia reforçar o tom mais duro na condução da política monetária.

Com a decisão, a Selic segue no mesmo patamar desde julho de 2015, o mais alto em quase uma década e no período mais longo de estabilidade desde que o regime de metas foi implantado em 1999.

Ilan já vinha reforçando que o objetivo do BC é fazer com que a inflação encerre este ano dentro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais-- e que caia para o centro do objetivo em 2017, quando a banda de oscilação foi estabelecida em 1,5 ponto.

De modo geral, especialistas acreditam que o movimento de corte da Selic deve começar apenas em outubro, o que levaria o Copom a repetir a manutenção da taxa no encontro de agosto.

Em 12 meses até junho, o IPCA acumulava alta de 8,84 por cento.

No comunicado, o Copom informou que projeções sobre a inflação permaneceram "relativamente estáveis nos horizontes relevantes para a condução da política monetária desde sua última reunião", mas caíram sobre os números divulgados no último Relatório de Inflação. No cenário de referência, completou o BC, a projeção para a inflação de 2017 encontra-se em torno da meta de 4,5 por cento.

Economistas, por sua vez, estimam que esse avanço do IPCA será de 5,3 por cento em 2017, conforme pesquisa Focus mais recente.

Por Marcela Ayres

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