BC mantém juro básico em 14,25% e reforça que não há espaço para cortes

quarta-feira, 20 de julho de 2016 19:46 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano em decisão unânime e em linha com expectativa dominante de especialistas, repetindo não haver espaço para corte nos juros tão cedo, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Ilan Goldfajn.

"Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária", informou o BC em comunicado com novo formato, mais extenso e pelo qual apontou riscos para o cenário de inflação, entre os quais a permanência de "incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia".

Pesquisa Reuters mostrou que 42 de 43 economistas consultados previram que a Selic não seria mexida agora. Até o comunicado, a aposta majoritária era de um corte nos juros apenas em outubro.

Com a decisão desta quarta, a Selic segue no mesmo patamar desde julho de 2015, o mais alto em quase uma década e no período mais longo de estabilidade desde que o regime de metas foi implantado em 1999.

No texto da decisão, o BC também apontou ligeira melhora na sua projeção para inflação no ano que vem. A mudança fez alguns economistas enxergarem a possibilidade de uma redução da Selic em agosto ganhar força, enquanto outros seguiram vendo queda somente em outubro.

O Copom informou que projeções sobre a inflação permaneceram "relativamente estáveis nos horizontes relevantes para a condução da política monetária desde sua última reunião", mas caíram sobre os números divulgados no último Relatório de Inflação. No cenário de referência, completou o BC, a projeção para a inflação de 2017 encontra-se em torno da meta de 4,5 por cento.

Na reunião do Copom realizada no início de junho, a projeção para o IPCA de 2017 estava exatamente em 4,5 por cento, centro da meta perseguida pelo governo. Mas no Relatório Trimestral de inflação, divulgado no fim do mesmo mês, essa conta havia sido piorada a 4,7 por cento.

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, a projeção mais baixa representou a principal mensagem do comunicado. "Esse é um reconhecimento de uma melhora do ambiente", afirmou ela.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília 19/07/2016. REUTERS/Adriano Machado