Governo autoriza Goiás assumir dívida de sócia da Celg-D; dá segurança à privatização

quinta-feira, 21 de julho de 2016 19:00 BRT
 

Por Marcela Ayres e Roberto Samora

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal divulgou nesta quinta-feira resolução que, na prática, permite que o Estado de Goiás assuma dívidas da estatal goiana Celgpar, dona de quase metade da distribuidora de energia Celg-D, o que traz mais segurança jurídica para a privatização da companhia do setor elétrico.

O montante envolvido, de 1,9 bilhão de reais, refere-se a um empréstimo originalmente contratado junto à Caixa Econômica Federal pela Celgpar, dona de 49 por cento da Celg-D, que tem a Eletrobras ELET3.SA como sócia majoritária, com mais de 50 por cento de participação.

A resolução do governo federal não altera as condições estabelecidas para o leilão de privatização, previsto para 19 de agosto, disse à Reuters a secretária da Fazenda do Estado de Goiás, Ana Carla Abrão. Ou seja, a Celg-D vai a leilão por um valor mínimo de 2,8 bilhões de reais, e o comprador ainda teria que assumir uma dívida que elevaria o valor total do negócio para cerca de 5 bilhões de reais.

"A resolução é um item menos importante do ponto de vista do leilão, não tem impacto na precificação da Celg. Agora, é claro que tudo isso ajuda, porque dá mais segurança jurídica, faz parte de todo o cuidado que temos no processo", afirmou a secretária de Fazenda.

Segundo ela, a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi necessária porque a dívida da Celgpar--contraída no passado para sanear e viabilizar a transferência de controle da Celg-D para a Eletrobras-- tem como garantia dividendos da distribuidora de energia, o que deixará de ocorrer após a privatização.

"A segunda garantia é do governo do Estado, só que ela está inscrita no balanço da Celgpar... O CMN autorizou que o governo assuma formalmente", esclareceu Ana Carla, que não disse se o débito será pago ou renegociado, "até porque vai depender do próprio leilão".

Ela afirmou ainda que o governo de Goiás está bastante otimista com o resultado do certame. "Há vários grupos olhando, olhando o data room, olhando a empresa com muita atenção, é um movimento que está despertando um interesse bastante grande. Isso tem nos dado essa confianca de que o interesse está forte", disse ela, evitando citar os interessados.

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