Eletrobras quer que União banque distribuidoras do Norte até privatização, diz fonte

sexta-feira, 22 de julho de 2016 13:53 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A estatal Eletrobras deverá exigir que a União banque investimentos e custos operacionais de suas distribuidoras de energia mais deficitárias, que atuam na região Norte, sob o compromisso de prepará-las para a privatização, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

A estatal realiza nesta sexta-feira a partir das 14h assembleia de acionistas para decidir o futuro de suas seis distribuidoras que atuam no Norte e Nordeste, e as propostas sob a mesa incluem a venda de todas elas ou mesmo a não renovação da concessão das mais problemáticas --Amazonas Energia e Boa Vista Energia, que atuam em Amazonas e Roraima.

No caso da simples não prorrogação dos contratos, o governo seria obrigado a realizar às pressas uma licitação para escolher um novo operador para as concessionárias.

Mas essa opção é vista como politicamente muito delicada, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, o que deverá levar a uma saída que combine um prazo extra para preparar a venda das empresas e uma salvaguarda ao caixa da Eletrobras, que quer evitar novas perdas com essas concessões deficitárias.

As distribuidoras da Eletrobras sofrem larga influência de parlamentares e governadores dos Estados em que atuam --recentemente, ata de reunião entre técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontou que essas empresas são vistas como "cabides de empregos para apadrinhados políticos".

Na última proposta da Eletrobras aos acionistas, consta uma sugestão de que a estatal se comprometa a vender Amazonas Energia e Boa Vista Energia até 31 de dezembro de 2017, desde que até lá as empresas recebam "diretamente, da União Federal ou através de tarifa, todos recursos e remuneração necessários para operar, manter e fazer investimentos".

"Essa parece ser a opção que agrada mais gente e é boa para todo mundo", afirmou a fonte, na condição de anonimato. "Tira uma peso das costas da Eletrobras... e evita o desgaste político", adicionou.

Antes, a Eletrobras pedia um compromisso do governo federal de aportar 8 bilhões de reais em suas distribuidoras como contrapartida para renovar os contratos de concessão, vencidos desde 2015.   Continuação...