DIs curtos sobem e mostram corte mais tardio na Selic após ata do Copom

terça-feira, 26 de julho de 2016 10:11 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros mais curtos avançavam nesta terça-feira e passavam a mostrar chances majoritárias de o Banco Central cortar a Selic mais tarde ainda, apenas em novembro, após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reiterar que não há espaço para afrouxamento monetário tão cedo.

Até a véspera, a curva de DIs mostrava chances divididas de corte em outubro ou novembro. O comunicado do Copom da semana passada já havia levado investidores a apostar que, se o corte viesse em outubro, seria de apenas 0,25 ponto percentual, menor do que o 0,50 ponto projetado até então.

"O BC tem sido muito incisivo em destacar os riscos à trajetória de queda da inflação, especialmente o fiscal", disse o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

No documento, elaborado com formato novo, o BC deu destaque ao processo de ajuste fiscal como "um risco e uma oportunidade para o processo desinflacionário em curso", mesmo levando em conta que suas projeções pelo cenário de referência --com a Selic constante a 14,25 por cento-- colocam a inflação no centro da meta de 4,5 por cento em 2017.

O BC afirmou também que, pelo cenário de mercado --com estimativas na pesquisa Focus de a Selic encerrar este ano a 13,25 por cento--, a inflação fica em 5,3 por cento no ano que vem, uma desinflação "em velocidade aquém da perseguida pelo Comitê".

"Por A+B, isso significa que o BC vai cortar menos os juros do que o que aparece no Focus", acrescentou Petrassi.

A mediana das estimativas na pesquisa Focus do BC, que consulta semanalmente uma centena de economistas, aponta que a Selic começa a cair em outubro com corte de 0,50 ponto. O próximo encontro do Copom será no final de agosto.

Estrategistas do BNP Paribas usaram a ata como base para reiterar sua recomendação a clientes que apostem na alta dos DIs mais curtos e na queda dos vencimentos mais longos, afirmando que os níveis atuais de preço só fariam sentido em meio a um cenário de corte agressivo de juros neste ano --o que não parece ser o caso.   Continuação...