Déficit em transações correntes soma US$2,479 bi em junho, diz BC, pior que o esperado

terça-feira, 26 de julho de 2016 10:59 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou um déficit em transações correntes de 2,479 bilhões de dólares em junho, voltando ao terreno negativo após dois meses consecutivos de superávit, em resultado pior que o estimado pelo mercado. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de um rombo de 1,5 bilhão de dólares no mês. Ainda assim, o resultado veio melhor que o déficit de 2,563 bilhões de dólares de igual mês do ano passado, também representando o déficit mais modesto para junho desde 2009, quando havia ficado negativo em 605,6 milhões de dólares. Os Investimentos Diretos no País (IDP), por sua vez, somaram 3,917 bilhões de dólares no mês, em linha com projeção de analistas de 4 bilhões de dólares. No acumulado do primeiro semestre, o rombo em transações correntes somou 8,444 bilhões de dólares, bem abaixo do saldo negativo de 37,888 bilhões de dólares de igual período de 2015. A expectativa do BC para o ano é de um déficit de 15 bilhões de dólares que, se confirmado, será o melhor resultado desde 2007, quando houve superávit de 408 milhões de dólares. Quanto menor o déficit em transações correntes, menor é a necessidade de financiamento externo da economia. A balança comercial tem tido papel determinante nessa melhora porque, em meio à recessão econômica, as importações têm caído em ritmo acentuado, ao passo que o recuo nas exportações tem sido muito mais suave. Em função dessa dinâmica, o superávit da balança comercial em junho foi de 3,755 bilhões de dólares. Ele ficou, contudo, abaixo do saldo positivo de 4,325 bilhões de dólares no mesmo mês do ano passado. Também influenciadas pela fraqueza na atividade, as remessas de lucros e dividendos recuaram 44,4 por cento em junho sobre um ano antes, a 1,396 bilhão de dólares. Ao mesmo tempo, as despesas líquidas em viagens internacionais tiveram queda de 19,4 por cento na mesma base, a 970 milhões de dólares.

(Por Marcela Ayres)