La Niña mais fraco afasta temores de perdas na soja e milho na América do Sul

quarta-feira, 27 de julho de 2016 14:54 BRT
 

BUENOS AIRES/SÃO PAULO (Reuters) - O fenômeno climático La Niña deve se apresentar em uma versão enfraquecida durante o verão na América do Sul, o que reduz os riscos de perdas nas próximas safras de soja e milho pelo tempo seco que em geral acompanha o fenômeno na região, disseram especialistas.

La Niña, o fenômeno oposto ao El Niño, consiste em uma aceleração dos ventos equatoriais que provoca um esfriamento do Pacífico do Equador e chuvas abaixo da média na Argentina, Paraguai, Uruguai e no Sul do Brasil, bem como fortes precipitações em outras partes do mundo.

No entanto, considerando que até o meio do ano se registrou um intenso fenômeno El Niño, o seu contrário feminino deverá se estabelecer a partir de dezembro e em uma versão amenizada, o que afasta temores de condições climáticas extremas e até gera expectativas favoráveis para os cultivos do Sul do Brasil.

A América do Sul é uma das principais fontes de exportação de alimentos do mundo, principalmente de soja e milho --o Brasil é o maior exportador da oleaginosa e o segundo do cereal.

"Os efeitos do La Niña, que segundo os modelos climáticos serão fracos, seriam sentidos no verão do hemisfério sul, sobretudo entre o fim de dezembro e o começo de janeiro", disse à Reuters Stella Carballo, especialista do Instituto Clima e Água da Argentina, principal exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

"Temos muita água no mapa, esperam-se chuvas em outubro e novembro, o que vai gerar umidade para a semeadura (de soja e milho) e para o momento de definição para a produção de trigo (na Argentina)", acrescentou.

No Sul do Brasil, a previsão de uma versão moderada do fenômeno também gera alívio aos produtores.

"Essa La Niña não está apontando para seca, é uma La Niña que está começando. E como ela está começando, não vai ter esse efeito muito intenso de seca no Sul", disse a meteorologista Patricia Madeira, da Climatempo.

O fenômeno será "bom para a próxima safra de grãos, não tem nada que traga preocupação, se vai faltar ou se vai ter muita chuva. A chuva será irregular, mas ela vem", disse Patricia.   Continuação...