Indústria eólica teme que recuo do BNDES e demanda fraca deixem fábricas ociosas

quinta-feira, 28 de julho de 2016 16:16 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de energia eólica do Brasil teme que um recuo nos generosos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor e a redução no ritmo de contratação de novas usinas devido à menor demanda por eletricidade resultem em fábricas paradas para diversos fabricantes que se instalaram no país nos últimos anos.

A situação colocaria mais pressão nas fábricas de equipamentos para o setor --que viu a capacidade instalada crescer quase mil por cento nos últimos anos, de cerca de 900 megawatts em 2010 para atuais 9,8 gigawatts--, mas que está sofrendo com menores contratações recentemente, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). tmsnrt.rs/2aN4W6d

Desde o início da década, fabricantes como a norte-americana GE, as espanholas Gamesa e Acciona e a dinamarquesa Vestas abriram fábricas no Brasil para poder vender equipamentos aos clientes locais com financiamento do BNDES, que exige um elevado nível de conteúdo local nas máquinas para conceder os empréstimos.

Mas há uma tensão entre os fabricantes, que já temiam uma menor demanda devido à queda no consumo de eletricidade com a crise econômica e agora estão mais preocupados com a recente sinalização de que o BNDES poderá reduzir financiamentos à área de energia, afirmou à Reuters a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum.

"Parece bastante controverso, bastante fora de rumo, o Brasil ao mesmo tempo querer providenciar investimento em infraestrutura e tirar o BNDES de seu papel. Porque no curto e no médio prazo o mercado não tem opção. Os bancos privados não emprestam a longo prazo e as taxas são proibitivas", disse.

O vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês), Everaldo Feitosa, também considera o BNDES o único financiamento viável ao setor no atual cenário e prevê problemas no caso de redução nos recursos do banco.

"A indústria que fez o dever de casa, toda a cadeia produtiva de geradores, pás, vai ser fortemente prejudicada. Vai na contramão de tudo que tem sido feito no contexto de ter uma fabricação local e geração de empregos."

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