Frigoríficos brasileiros se movimentam para exportar para EUA, diz Maersk

sexta-feira, 29 de julho de 2016 16:38 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Grandes frigoríficos brasileiros já se movimentam para contratar frete para exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos, disse nesta sexta-feira a Maersk Line, maior operadora global de navios de contêineres.

O acordo que libera a exportação de carne brasileira in natura para os EUA, concluindo uma negociação de vários anos, foi assinado esta semana em Washington.

O Ministério da Agricultura estimou nesta sexta-feira que os embarques devem começar em 90 dias, "após finalização dos trâmites administrativos pelas autoridades sanitárias dos dois países".

"Nossos clientes já estão demandando e finalizando volumes (contratos de frete)", disse à Reuters o diretor de Trade da Maersk Line no Brasil, João Momesso.

Segundo ele, deverá haver uma migração parcial do fluxo de fretes de carne bovina que antes era destinada para a Venezuela --que enfrenta crise financeira e desacelerou compras-- e agora irá para os Estados Unidos.

"As nossas grandes empresas frigoríficas têm buscado novos mercados. Não acredito que o mercado dos EUA vá ser para nós como foi a Venenzuela, mas qualquer coisa em um país de mais de 200 milhões de habitantes (EUA) é bastante volume", completou.

O Ministério da Agricultura estima que essa nova frente de exportações para os EUA deve render faturamento anual de 900 milhões de dólares para o Brasil.

Momesso assinalou ainda que as exportações brasileiras em contêineres de carga seca (sem necessidade de refrigeração) cresceram 35 por cento este ano para o Oriente Médio, aproveitando uma disponibilidade de capacidade. Nestes fretes, a maior parte é de commodities agrícolas.

Em geral, embarcadores oferecem o transporte de cargas agrícolas como frete de retorno para suas rotas, cobrando preços baixos para atrair clientes.   Continuação...