Redução de sobras de energia de distribuidoras fica aquém da expectativa

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 10:25 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O resultado de um mecanismo criado para reduzir sobras de energia elétrica contratada por distribuidoras foi bastante inferior às expectativas das empresas, afirmou à Reuters nesta segunda-feira um representante da indústria.

Com a demanda em queda devido à recessão econômica e à elevação das tarifas desde o ano passado, as distribuidoras esperavam mitigar sobras de energia em um mecanismo criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o chamado MCSD de Energia Nova, que permitiu acordos entre as empresas e geradores para reduzir contratos.

Mas os resultados do MCSD de Energia Nova, divulgados na noite de sexta-feira, mostraram redução de apenas 130 megawatts médios em contratos para o segundo semestre deste ano, frente a uma expectativa de cerca de 980 megawatts médios das distribuidoras, afirmou o presidente da Abradee, associação que representa investidores do setor, Nelson Leite.

"O resultado foi muito fraco...(a sobrecontratação) ainda é preocupante... Esperávamos que o MCSD fosse trazer algum benefício, mas infelizmente o resultado não foi o que a gente esperava", disse o executivo.

Em nota sobre o resultado do mecanismo de reduções contratuais, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) disse que "permanece em contato com os agentes e instituições do setor para diminuir a sobrecontratação das distribuidoras".

De acordo com Leite, as distribuidoras conversam com CCEE e Aneel para que seja realizada uma segunda rodada do MCSD de Energia Nova, que poderia dar espaço para mais acordos entre as empresas e geradores.

"Temos a expectativa de haver uma segunda rodada agora em agosto, e que mais geradores possam participar... vários geradores não participaram alegando que o tempo foi insuficiente para as aprovações que precisariam fazer em seus conselhos", disse Nelson.

Em abril, a Abradee estimava que as sobras de energia contratada pelas distribuidoras poderiam representar até 13,3 por cento do consumo neste ano, o que ameaça gerar perdas financeiras às empresas.