Exportação de soja e milho do Brasil cairá pela metade em agosto, aponta escala de navios

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 17:09 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações do setor de grãos do Brasil deverão cair pela metade em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado, mostram dados de escalas de navios, em um momento em que tradings mostram-se mais interessadas em vender milho no mercado interno e com perda de competitividade da soja nacional.

A previsão de embarques de soja, milho e farelo de soja nos portos brasileiros em agosto é de 4,87 milhões de toneladas, ante uma escala que, um ano atrás, apontava embarques de 9,37 milhões de toneladas em agosto de 2015, segundo dados da agência marítima Williams compilados pela Reuters.

Soja e milho correspondem à imensa maioria dos volumes exportados. No caso do cereal, esta época do ano seria de aceleração dos embarques, mas os agendamentos têm sido fracos após uma quebra acentuada da segunda safra de milho 2015/16.

"É muito provável que o Brasil não se aproxime da marca (de exportações de milho) projetada pela Conab", disse a analista da corretora Labhoro, Andrea de Sousa Cordeiro, referindo-se à previsão oficial do governo, de 22 milhões de toneladas.

Até o final de junho, o Brasil havia exportado 7,6 milhões de toneladas, de acordo com dados do setor privado.

Segundo ela, os preços aquecidos do milho no mercado interno têm levado muitas tradings a redirecionar para as indústrias locais algumas cargas que estavam destinadas para a exportação.

"Uma parte do que havia sido vendida foi trocada de origem", disse ela, relatando operações em que determinados compradores na Ásia, por exemplo, vão ter seus contratos honrados recebendo milho dos Estados Unidos e não mais do Brasil. "A trading verificou a possibilidade de abastecer o mercado interno muito aquecido."

Segundo o analista Luciano Marques, da corretora Gama, o milho para embarque no porto de Santos em agosto ou setembro está sendo cotado entre 35 e 36 reais por saca, enquanto algumas praças, no mercado interno, pagam 42 a 45 reais pelo grão à pronta entrega.   Continuação...