Carga de energia cai menos que o previsto, diz CCEE; preço spot pode subir

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 17:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A carga de energia elétrica do sistema interligado do Brasil tem caído menos que o estimado no início do ano, o que deverá resultar em uma revisão para cima na demanda projetada para o ano, com impacto nos preços spot da eletricidade, também conhecidos como Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

O gerente de Preço da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rodrigo Sacchi, disse nesta segunda-feira que uma mudança nas projeções de carga para os próximos anos, prevista para acontecer oficialmente até setembro, poderia elevar consideravelmente os preços spot médios do próximo mês.

No caso de a revisão de carga prever uma demanda até 1.000 megawatts médios superior à que consta das atuais estimativas, o preço no Sudeste saltaria para 102 reais por megawatt-hora, ante 63 reais estimados anteriormente.

Uma revisão em 2.000 megawatts médios elevaria os preços spot do Sudeste em setembro para 137 reais por megawatt-hora, segundo o especialista.

Se considerado todo o ano, uma revisão de carga poderia levar o PLD médio de 2016 da atual projeção de 61,94 reais por megawatt-hora no Sudeste para 75,36 reais por megawatt-hora ou 86,76 reais por megawatt-hora, respectivamente.

"A gente vem acompanhando mês a mês e percebe uma resposta positiva da carga... é possível então que não tenha redução, mas aumento de carga (na revisão das estimativas para o ano)... é um comportamento de retomada do consumo", afirmou Sacchi.

Como exemplo, o gerente afirmou que a carga em agosto deve ser 2,8 por cento superior ao que se estimava para o mês em projeções divulgadas em janeiro.

Já em julho, a carga registrada foi 2,2 por cento superior ao que havia sido previsto no início do ano, disse Sacchi.

Operadores do mercado de eletricidade disseram à Reuters no início de julho que a carga estava caindo menos que as estimativas oficiais, o que elevou os preços de contratos no mercado livre de energia, no qual grandes consumidores fecham negócios diretamente com geradores e comercializadores.

(Por Luciano Costa)