Cielo vê sinais de início de melhora no consumo no país

terça-feira, 2 de agosto de 2016 11:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da companhia de meios de pagamento Cielo, Rômulo Dias, afirmou nesta terça-feira que parece estar havendo na economia o surgimento de um ponto de inflexão na queda do consumo do país, o que poderá ampliar o volume de transações com cartões nos próximos trimestres.

Em teleconferência com analistas do setor, o executivo afirmou ainda que não espera que a Olimpíada no Rio de Janeiro produza um volume adicional de transações de consumidores suficiente para impactar nas expectativas da empresa para este ano.

A empresa divulgou na véspera alta de 13,5 por cento no lucro líquido do segundo trimestre sobre o mesmo período do ano passado, a 1 bilhão de reais. O resultado veio apoiado por uma alta de quase 10 por cento das operações com cartão e de débito.

As ações da Cielo estavam entre as principais quedas do Ibovespa nesta terça-feira, recuando 4,5 por cento às 11h44, enquanto o Ibovespa caía 1 por cento. Segundo analistas do Santander Brasil, apesar de o resultado ter vindo acima de suas estimativas, o aumento de despesas da empresa pesou sobre o Ebitda.

Um dos destaques da empresa no trimestre passado foi o crescimento de 21,5 por cento na aquisição de recebíveis, um dos principais negócios da Cielo, em meio à retração dos bancos na oferta de crédito no país.

Segundo Dias, os bancos ainda se mostram retraídos na oferta de crédito no país, o que segue favorecendo o negócio de recebíveis. "Eu diria que, para 2016, possivelmente vamos ficar entre 19 e 21 por cento da penetração da carteira de crédito", disse o presidente da Cielo. No segundo trimestre o índice foi de 20,4 por cento ante 18,5 por cento no mesmo período do ano passado e 20,1 por cento nos três primeiros meses de 2016.

"Conforme as pessoas ficam mais confiantes, as instituições financeiras podem voltar a conceder crédito de forma mais forte, mas isso não é o que parece estar acontecendo (...) Para 2017, é possível uma queda, na medida que as instituições financeiras voltem a conceder mais crédito", disse Dias.

Mais cedo, o Itaú Unibanco, maios banco privado do país, cortou sua expectativa de crescimento da carteira de crédito este ano. A projeção passou para o intervalo de queda de 10,5 a 5,5 por cento ante projeção anterior de recuo de 0,5 a crescimento de 4,5 por cento.

(Por Alberto Alerigi Jr.)