Construtora Queiroz Galvão é alvo de nova fase da Lava Jato

terça-feira, 2 de agosto de 2016 20:23 BRT
 

Por Sérgio Spagnuolo

CURITIBA (Reuters) - A construtora Queiroz Galvão foi o principal alvo da 33ª fase da Operação Lava Jato, desencadeada nesta terça-feira, por sua participação no chamado “cartel das empreiteiras” em contratos com a Petrobras, em um esquema tão amplo que um procurador da República afirmou que a construtora reúne todos os tipos de crimes investigados pela força-tarefa.

A empreiteira é considerada a terceira maior em volumes de contratos com a Petrobras no âmbito da Lava Jato, alcançando um total superior a 20 bilhões de reais, segundo autoridades.

“A investigação reuniu indícios relativos à prática de crimes. Num primeiro momento havia relato de colaboradores, mas… conseguimos corroborar essas declarações e também foram descobertos fatos novos que indicam cometimento de crime”, disse a delegada federal Renata da Silva Rodrigues, em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Batizada de "Resta Um", a nova fase realizou operações nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. Foram expedidos 32 mandados judiciais, incluindo dois de prisão preventiva e um de prisão temporária.

Foram presos sob caráter preventivo o ex-presidente da construtora Ildefonso Colares Filho, o qual teria dito a investigadores que já se desligou da companhia, e o executivo Othon Zanoide Moraes, o qual ainda consta nos quadros do grupo Queiroz Galvão, segundo a PF.

“Foi apurado que esses executivos, no seio da Queiroz Galvão, de alguma forma comandavam, determinavam e executavam o pagamento de propina e os atos de lavagem (de dinheiro)”, disse a delegada. “Os valores movimentados por meio dessas condutas alcançam níveis bastante impressionantes.”

O total de propinas já rastreado e comprovado, segundo o Ministério Público Federal, está por volta de 10 milhões de reais, mas pode ser superior.

Segundo a delegada da PF, o doleiro Alberto Youssef disse ter tido acesso a uma contabilidade de propina da Queiroz Galvão no âmbito da diretoria de Abastecimento da Petrobras no montante de 37 milhões de reais.   Continuação...

 
28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes