Preço e dívida alta ameaçam minar leilão de privatização da Celg-D, da Eletrobras

terça-feira, 2 de agosto de 2016 17:03 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Investidores que demonstraram interesse em participar do leilão de privatização da distribuidora de energia elétrica goiana Celg-D, controlada pela Eletrobras, têm se queixado do preço elevado e das altas dívidas da companhia, que segundo eles podem esvaziar a disputa agendada para 19 de agosto.

A licitação da elétrica, considerada a mais atrativa entre as sete distribuidoras da Eletrobras, também deverá testar o interesse do mercado por esses ativos, após a estatal decidir no mês passado que vai vender todas suas subsidiárias de distribuição até o final de 2017.

O processo de venda da Celg-D teve início ainda no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, quando foi definido o valor mínimo de 2,8 bilhões de reais pela empresa, que chega a cerca de 5,2 bilhões de reais se consideradas dívidas a serem assumidas pelo comprador.

Mas embora as primeiras medidas do governo interino de Michel Temer tenham animado os investidores em energia, os responsáveis pela venda da Celg-D têm ouvido queixas sobre o valor pedido naquela que será a primeira privatização em distribuição de energia no país desde os anos 2000.

"Tem interessados, mas o que está havendo é que estão falando que o preço está caro. Agora, não sei dizer se isso é estratégia de comprador, que chora, chora, chora, vai lá e faz proposta", disse à Reuters uma fonte próxima ao processo de venda da companhia.

Segundo a fonte, que falou sob a condição de anonimato, a licitação poderá ser realizada novamente se não houver propostas.

"Não tem uma decisão ainda, mas (o leilão) pode ser feito de novo sem problema nenhum, não tem limitação. Mas em tese essa é a joia da coroa, a melhor de todas elas, vamos ver como o mercado se posiciona", disse.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, avalia que as condições desafiadoras do negócio e o cenário de crédito restrito e caro no Brasil vão limitar uma eventual disputa e beneficiar eventuais estrangeiros interessados.   Continuação...