Recessão, quebra de safra e excesso de caminhões impedem reajustes de frete no Brasil

quarta-feira, 3 de agosto de 2016 19:26 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas de transporte rodoviário enfrentaram uma ampliação na defasagem dos valores de fretes no primeiro semestre, com a maioria delas tendo que oferecer descontos ou congelar tarifas, sem repor a inflação, numa tentativa de manter clientes em um momento de desaceleração da economia e excesso de caminhões disponíveis, apontou nesta quarta-feira uma pesquisa do setor.

Até a frustração da colheita de soja e, principalmente, da de milho em 2016 ajudou a desequilibrar o setor de logística.

Desde o início do ano, 41 por cento das transportadoras de carga deram descontos no valor dos fretes e 40 por cento mantiveram os preços congelados, apesar de uma inflação anual de até 8,5 por cento nos custos, segundo levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC&Logística).

As demais empresas conseguiram reajustar contratos, mas na média os aumentos ficaram abaixo da inflação.

"Normalmente, a defasagem no meio do ano sempre foi menor que no início do ano, porque os reajustes acontecem entre março e maio", disse o assessor técnico da entidade, Lauro Valdívia, destacando que a situação não se repetiu este ano.

As transportadoras já enfrentam forte defasagem no frete há pelo menos dois anos, como efeito de uma super oferta de caminhões no mercado, decorrente de vários anos de crédito fácil para a aquisição de veículos.

Nos últimos meses a situação agravou-se, já que a desaceleração da atividade econômica do país tem impacto direto sobre o volume de cargas produzidas e transportadas.

O setor que mais tem sofrido é de "carga lotação", no qual os clientes contratam fretes que ocupam um caminhão inteiro, como uma carga de cimento saindo da indústria ou um carregamento de grãos levado da fazenda até o porto.

A pesquisa da NTC mostrou que nesse segmento a defasagem entre os preços obtidos nas tarifas e o custo operacional chegou a 22,9 por cento no primeiro semestre.   Continuação...