Indústria de suco de laranja do país estima menor estoque da história em 2016/17

quinta-feira, 4 de agosto de 2016 15:55 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de suco de laranja do Brasil, maior exportador global da commodity, terá na safra 2016/17 (julho/junho) um período desafiador e de oferta apertada, que deve ser encerrado com os menores estoques finais da história após uma quebra de safra, informou nesta quinta-feira a associação de exportadores CitrusBR.

A associação projeta que os estoques finais de suco de laranja do Brasil em todo o mundo poderiam somar apenas cerca de 2 mil toneladas em 16/17, ante 351,6 mil toneladas na temporada anterior, nível já relativamente baixo ante os anos recentes.

Tal volume de estoque projetado para 16/17 considera uma demanda estável, algo improvável considerando os atuais níveis de preços na bolsa de Nova York, que oscilam perto dos maiores níveis em mais de quatro anos.

Questionado se preços mais altos poderiam limitar a demanda, o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, concordou. Mas afirmou que isso não muda o cenário previsto para os estoques.

"Mesmo que você aplique um deságio na demanda em torno de 7 por cento, ainda assim os estoques estariam próximos a 50 mil toneladas em junho de 2017, o que tecnicamente é praticamente zero...", afirmou ele à Reuters.

A produção de suco de laranja da indústria de São Paulo, que processa a fruta paulista e do Triângulo Mineiro, foi estimada em 708,5 mil toneladas, queda de 18,1 por cento ante temporada anterior, segundo a CitrusBR, por conta de problemas climáticos que também afetaram o rendimento industrial da fruta.

Devido a condições climáticas adversas, a CitrusBR estima um rendimento industrial médio de 291,8 caixas de 40,8 kg necessárias para a fabricação de uma tonelada de suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ equivalente) o que, se confirmado, será o segundo pior da história.

Isso considerando uma safra de laranja da região produtora de suco do Brasil de 245,7 milhões de caixas, 18 por cento abaixo do total colhido no ciclo anterior, segundo previsão do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Somado o estoques de 351,5 mil toneladas, mais aproximadamente 17 mil toneladas de suco produzido nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul que se incorporam aos estoques paulistas, a disponibilidade total de suco do país é estimada em 1,077 milhão de toneladas, volume muito próximo da demanda anual recente, segundo a associação.

"Esse será, sem sombra de dúvidas, um período desafiador para que nossas empresas mantenham seu ritmo de exportação ao longo de toda a safra", comentou o diretor-executivo da CitrusBR.