Carga maior e seca podem resultar em cobrança extra em tarifa de energia no país

segunda-feira, 8 de agosto de 2016 15:46 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma carga de energia elétrica maior que a inicialmente esperada para este ano no Brasil e um período seco com menos chuvas que o normal ameaçam trazer de volta às contas de luz as bandeiras tarifárias, que resultam na cobrança de um adicional junto aos consumidores em situações de menor oferta de energia, afirmaram especialistas à Reuters nesta segunda-feira.

Segundo comercializadores de energia, o preço spot da eletricidade, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), deve disparar em setembro para um patamar próximo dos 200 reais por megawatt-hora, ante 118 reais atualmente, após uma revisão de carga realizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), na semana passada.

Com isso, os preços poderiam ultrapassar ou ficar muito próximos ao limite de 211 reais por megawatt-hora que leva ao acionamento da bandeira amarela, após um período em que os custos da energia haviam revertido a tendência de alta de 2015, quando subiram mais de 50 por cento, impactando a inflação.

O objetivo das bandeiras é sinalizar escassez de energia aos consumidores por meio de um aumento de custos, incentivando a redução do consumo.

"Já está aí no limite... para setembro já começa a ter esse risco de a gente subir de bandeira... ainda é uma incógnita, não dá pra saber se vai chover pouco ou se as chuvas vão atrasar, mas diria que há uma probabilidade considerável de a gente ter um aumento tarifário por elevação de bandeira", disse o diretor da comercializadora Federal Energia, Erick Azevedo.

No cenário da Compass Energia, o PLD poderia já no início de setembro chegar a até 218 reais por megawatt-hora.

"Os brasileiros correm o sério risco de serem assombrados pela de volta das bandeiras tarifárias na conta de luz, já em setembro", afirmou a comercializadora.

A possibilidade de virada na bandeira, que está verde desde abril, vai depender fortemente do andamento das chuvas, que têm ficado abaixo da média neste período seco, que vai de maio a novembro.   Continuação...