Via Varejo e Cnova acertam combinação no Brasil, esperam sinergia recorrente de R$245 mi

segunda-feira, 8 de agosto de 2016 20:04 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Via Varejo e Cnova anunciaram nesta segunda-feira acordo para combinação de seus negócios no Brasil, em uma operação que deve gerar milhões de reais em economias de custos logísticos e que acontece meses após a descoberta de fraudes na operação brasileira da Cnova.

As empresas já tinham anunciado em maio intenção de combinarem suas operações no Brasil para simplificarem estrutura de governança e relações comerciais entre ambas, além da geração de sinergias.

Segundo a Via Varejo, que é controlada pelo Grupo Pão de Açúcar e opera lojas de móveis e eletrodomésticos pelo país, a combinação com as Cnova no Brasil, focada em comércio eletrônico, vai gerar sinergias recorrentes de 245 milhões de reais por ano a partir de 2017. Além disso, há expectativa de geração de economias de 325 milhões de reais até o final deste ano.

"O mais importante das sinergias é em logística, capital de giro, estoques", disse o presidente-executivo da Via Varejo, Peter Estermann em entrevista. "Com a integração dos centros de distribuição, conseguimos otimizar a malha logística. Hoje tem caminhão da Cnova distribuindo produto na mesma região que a Via Varejo entrega", acrescentou o executivo.

A intenção da companhia é concluir a operação de integração da Cnova Brasil no quarto trimestre. Atualmente Via Varejo tem 27 centros de distribuição de produtos no Brasil e a Cnova, outros quatro.

Após o negócio, "a ideia é que passaremos a operar com 27 a 28 centros", disse Estermann, acrescentando que a integração vai permitir que a Cnova no Brasil, que opera os sites de comércio eletrônico das redes de lojas Pontofrio.com e Casas Bahia, opere com os mesmos prazos de entrega de mercadoria aos clientes que a Via Varejo.

Com a união, a Via Varejo afirma que vai se tornar a maior empresa de varejo em multicanais do Brasil, operando lojas físicas e online, com faturamento entre 26 bilhões a 28 bilhões de reais por ano.

A integração das duas empresas marca uma reversão na estratégia dos grupos GPA e Casino, que vislumbraram alguns anos atrás o crescimento do comércio eletrônico como motivo para separar estas atividades, formando uma empresa de varejo online com operações no Brasil, França e na Ásia.

"O Brasil mudou radicalmente (...) Ficou muito claro para nós que, além do momento do país, em que não podemos deixar na mesa nenhum ganho de sinergia, a combinação é algo que faz todo o sentido e que vai deixar a companhia (Via Varejo) numa situação muito melhor", afirmou o presidente-executivo do GPA, Ronaldo Iabrudi.   Continuação...