Governo buscará preços realistas em leilões de energia, diz presidente da EPE

terça-feira, 9 de agosto de 2016 12:55 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O governo pretende definir preços-teto "os mais realistas possíveis" para leilões de contratação de novas usinas de energia com o objetivo de atrair investidores e garantir a financiabilidade dos projetos, afirmou à Reuters o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, que assumiu o cargo no último mês.

Para Barroso, que tem forte interação com o setor privado devido à sua atuação prévia como diretor da consultoria PSR, especializada em energia, o maior desafio para a expansão da oferta de energia do Brasil será a financiabilidade, o que está ligado às condições oferecidas nos leilões.

"Os preços precisam ser realistas e fornecendo o sinal econômico correto. Só com base nestes princípios que podemos ter o desenvolvimento de mercados sustentáveis, caso contrário, criaremos mercados 'falsos' com base em subsídios, e dessa forma, insustentáveis", afirmou Barroso, em entrevista por e-mail.

Segundo ele, a EPE, órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia, trabalhará em conjunto com a pasta no planejamento e construção das licitações.

"Isto inclui a reavaliação contínua das condições do certame, para verificar se os riscos e as condições de mercado estão refletidos nos preços-teto", comentou.

O novo presidente disse que a EPE terá ainda "um papel aperfeiçoativo no ambiente de negócios da indústria energética", o que poderá envolver no futuro a realização de eventos sistemáticos junto ao mercado financeiro e a investidores.

"Teremos uma forte ação da EPE, em conjunto com o ministério, para aumentar a comunicação, explicar o porquê de medidas e propostas e conversar com o mercado", afirmou.

Barroso também garantiu que o governo não abandonará a ideia de investir em grandes hidrelétricas, mesmo após o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ter dito nesta terça-feira que a mega usina de São Luiz do Tapajós, prevista para o Pará, ficará fora dos planos por enquanto.   Continuação...