9 de Agosto de 2016 / às 17:36 / em um ano

Governo fala em preços realistas em leilões de energia e defende hidrelétricas

SÃO PAULO (Reuters) - O governo pretende definir os preços-teto “mais realistas possíveis” para leilões de contratação de novas usinas de energia, com o objetivo de atrair investidores e garantir a capacidade de financiamento dos projetos, afirmou à Reuters o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, que assumiu o cargo no último mês.

Para Barroso, que tem forte interação com o setor privado devido à sua atuação prévia como diretor da consultoria PSR, especializada em energia, o maior desafio para a expansão da oferta de energia do Brasil será a financiabilidade, o que está ligado às condições oferecidas nos leilões.

“Os preços precisam ser realistas e fornecendo o sinal econômico correto. Só com base nestes princípios que podemos ter o desenvolvimento de mercados sustentáveis, caso contrário, criaremos mercados ‘falsos’ com base em subsídios, e dessa forma, insustentáveis”, afirmou Barroso, em entrevista por e-mail.

Segundo ele, a EPE, órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia, trabalhará em conjunto com a pasta no planejamento e construção das licitações.

“Isto inclui a reavaliação contínua das condições do certame, para verificar se os riscos e as condições de mercado estão refletidos nos preços-teto”, comentou.

O novo presidente disse que a EPE terá ainda “um papel participativo no aperfeiçoamento do ambiente de negócios da indústria energética”, o que poderá envolver no futuro a realização de eventos sistemáticos junto ao mercado financeiro e a investidores.

“Teremos uma forte ação da EPE, em conjunto com o ministério, para aumentar a comunicação, explicar o porquê de medidas e propostas e conversar com o mercado”, afirmou.

Barroso também garantiu que o governo não abandonará a ideia de investir em grandes hidrelétricas, mesmo após o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ter dito nesta terça-feira que a mega usina de São Luiz do Tapajós, prevista para o Pará, ficará fora dos planos por enquanto.

“Lutaremos pelas hidrelétricas, dentro de um marco de desenvolvimento sustentável socioambiental e buscando reservatórios sempre que possível, com uma análise de seus custos e benefícios”, afirmou.

Ele disse, no entanto, que essa discussão será levada à sociedade e o órgão buscará ser pragmático nesse diálogo.

“Se não pudermos contar com as hidrelétricas, iremos buscar as alternativas, que terão custos diferentes e estes serão explicitados para a sociedade”, disse.

Segundo Barroso, a EPE pretende ter metodologias e ferramentas computacionais que possam capturar os atributos de cada fonte de geração e compará-los para definir a melhor forma de expandir a matriz elétrica.

“Este processo permite blindar o planejamento das usuais pressões setoriais...da fonte A, B ou C”, afirmou.

Ele disse que também serão estudados outros possíveis aprimoramentos nos leilões, como os critérios para habilitação dos participantes e as características dos contratos, assim como a eventual realização de licitações focadas em determinadas regiões.

“Esses aperfeiçoamentos serão analisados e discutidos com calma, e inseridos no contexto do aperfeiçoamento do modelo setorial como um todo”.

Raquel Stenzel

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