Senado aprova parecer de relator e Dilma se torna ré no processo de impeachment

quarta-feira, 10 de agosto de 2016 08:00 BRT
 

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira o parecer pela continuidade do processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff, que passa à condição de ré, acusada de ter cometido crime de responsabilidade.

    Redigido pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o parecer aprovado por 59 votos a 21 recomenda a pronúncia de Dilma, por entender que há elementos suficientes para levar a petista a julgamento final no processo de impeachment.

    O placar correspondeu à expectativa de governistas, que apostavam obter quase 60 votos favoráveis ao relatório de Anastasia, e superou até mesmo a marca dos dois terços necessários para condenar Dilma na última fase do processo.

    O Planalto quis passar um clima de tranquilidade ao longo da terça-feira, mas acompanhou de perto a votação e o comportamento dos aliados.

Não havia temor ou qualquer risco quanto ao resultado, já que era necessária apenas maioria simples para tornar Dilma ré, mas o clima era de precaução, porque a intenção era obter a maior quantidade de votos possível nesta fase, segundo uma fonte palaciana disse à Reuters.

    O ex-advogado-geral da União e advogado de defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, tentou minimizar o placar da pronúncia, argumentando que ele não pode ser encarado como uma antecipação fiel do julgamento final. Segundo ele, a votação da pronúncia aponta apenas que há “fumaça” de autoria.

“A conclusão final é depois”, disse o advogado a jornalistas.

Com a pronúncia aceita, a acusação tem um prazo de 48 horas para a apresentação do libelo acusatório e um rol de seis testemunhas. Mas o jurista Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment, afirmou que o libelo deve ser apresentado já nesta quarta-feira.   Continuação...

 
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