CENÁRIOS-Exportador de grãos do Brasil vê fracos negócios por câmbio e preço até o fim do ano

quarta-feira, 10 de agosto de 2016 13:59 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado exportador de grãos do Brasil se prepara para meses de uma virtual paralisação nos negócios fechados com produtores, com o país perdendo competitividade diante da queda do dólar e do recuo nos preços internacionais, que praticamente tira vendedores das negociações.

Dessa forma, a comercialização do que resta da safra passada e os negócios da futura devem ficar travados até o final do ano, disse um operador de grãos em São Paulo.

"Já comprei passagens de férias para setembro em função disso", afirmou ele, pedindo para não ser identificado.

O operador ressaltou que terá muito mais trabalho em janeiro, quando começa a colheita da nova safra brasileira.

O Brasil é o maior exportador de soja do mundo e na temporada passada foi o segundo maior de milho. Mas deverá enfrentar grande concorrência dos Estados Unidos nos próximos meses, com produtores norte-americanos esperando colher safras recordes, o que já se reflete nos contratos futuros da bolsa de Chicago, referência global.

Com o mercado em baixa, o produtor acaba optando por esperar, comentou o diretor da corretora Confiança Agrícola, Vanderlei Angonese, de Sinop (MT), importante região de soja e milho de Mato Grosso, o maior produtor brasileiro de grãos.

"Pode dar um pico (de preço) em novembro, dezembro, de repente em 10 dias faz um volume monstruoso (de vendas), mas tudo indica que não vai ocorrer esse pico", acrescentou ele, ressaltando que os preços oferecidos aos produtores despencaram.

Segundo o corretor, há algumas semanas os negócios com soja disponível na região de Sinop (safra 2015/16) ocorriam na faixa de 83 e 84 reais por saca. Atualmente, as ofertas são para 63 reais, com baixíssimo interesse dos vendedores.   Continuação...