BB prevê menos custos com calotes e rentabilidade maior em 2017; ações disparam

quinta-feira, 11 de agosto de 2016 15:22 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As ações do Banco do Brasil subiam forte nesta quinta-feira, com o banco dando indicações de que vai seguir o movimento dos rivais privados para ampliar a rentabilidade e reduzir provisões para inadimplência, mesmo após divulgar resultado trimestral fraco.

Às 15:21, a ação do maior banco do país avançava 4,79 por cento, maior alta do Ibovespa, que tinha valorização de 1,94 por cento.

"O Banco do Brasil retomará um nível de rentabilidade compatível com o de nossos pares privados", disse a jornalistas o presidente-executivo do BB, Paulo Caffarelli, explicando que isso será feito por meio de mais participação de receitas com tarifas, controle de custos e dos níveis de inadimplência.

Mais cedo, o BB anunciou que seu lucro líquido do segundo trimestre teve queda de 18 por cento, impactado por maiores provisões para perdas esperadas com calotes, após um repique do índice de atrasos acima de 90 dias.

Para Caffarelli, tanto o aumento da inadimplência quanto das provisões tiveram impacto de um caso corporativo específico que não deve se repetir nos próximos trimestres, especialmente porque o banco tem sido mais conservador na política de provisionamentos.

Embora o BB tenha evitado apontar nomes de empresas, analistas citaram como prováveis responsáveis pela alta da inadimplência a afretadora de sondas para exploração de petróleo Sete Brasil e a operadora de telecomunicações Oi, que pediram recuperação judicial nos últimos meses.

De forma geral, a avaliação dos analistas foi majoritariamente negativa sobre o balanço do BB no trimestre.

"A principal preocupação para o Banco do Brasil continua sendo a qualidade dos ativos. Sem uma reserva extra para provisões, o BB fica vulnerável a nova deterioração na qualidade da carteira", afirmou Philip Finch, do UBS, que manteve recomendação de venda para a ação banco.

No entanto, os analistas consideraram positivos o aumento da previsão de receitas com margem financeira, mesmo reduzindo a estimativa para expansão do estoque de crédito, o que foi interpretado como sinal de que o banco vai continuar repassando juros maiores a clientes.   Continuação...