CENÁRIOS-Mudança em estudo no preço spot da energia gera tensão no mercado e reduz liquidez

sexta-feira, 12 de agosto de 2016 15:05 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A intenção do governo de abrir ainda neste ano uma ampla discussão para rever parâmetros de cálculo dos preços spot da energia elétrica no Brasil tem gerado tensão no mercado e ajudado a elevar os preços de contratos de eletricidade para entrega a partir de 2017.

A mudança no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é utilizado no mercado de curto prazo mas também influencia contratos mais longos, é elogiada por especialistas porque poderia levar mais realismo ao custo da energia e incentivar investimentos em geração. No entanto, a incerteza sobre seus efeitos práticos reduziu a liquidez e aumentou a cautela nas operações de compra e venda de energia.

A cotação de contratos de longo prazo de energia convencional no mercado livre de eletricidade, no qual grandes consumidores negociam diretamente com comercializadores e geradores, já subiu mais de 27 por cento desde a primeira fala do governo sobre a possível revisão.[tmsnrt.rs/2b8uvhV]

Na quinta-feira, o Ministério de Minas e Energia afirmou à Reuters que pretende abrir uma consulta pública sobre o tema "ainda neste ano" para que "entidades e a sociedade possam participar do debate", mas não disse quando uma eventual mudança entraria em vigor.

"Para o ano que vem ainda tem essa incerteza, ainda não foi definido se vai ter uma mudança ou não. Então os agentes acabam deixando para comercializar sua energia um pouco mais à frente", afirmou o sócio da consultoria Focus Energia, Alan Zelazo.

"Há um componente enorme de insegurança. Dependendo de como você calibrar isso, pode ter um efeito no preço brutal, então tem muita incerteza no ar... os preços de mercado estão subindo bastante. Com a incerteza regulatória fica difícil fazer qualquer previsão", disse o sócio da comercializadora Compass Energia, Marcelo Parodi.

No Brasil, os preços spot são calculados por modelos matemáticos que simulam as condições futuras de operação do sistema com base em informações como o nível de chuvas nas hidrelétricas e o consumo, entre outros fatores.

Segundo o ministério, o objetivo da revisão é "alinhar cada vez mais a realidade física elétrica com a realidade teórica", o que envolverá uma análise do "conjunto de dados e métodos usados atualmente e possíveis aprimoramentos".   Continuação...