Presidente da Suzano vê consolidação da indústria de celulose diante de preços em baixa

terça-feira, 16 de agosto de 2016 12:55 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente-executivo da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, afirmou nesta terça-feira que espera uma consolidação na indústria depois que um excesso de capacidade no setor reduziu os preços da commodity.

Além de um "redesenho da indústria", que pode ocorrer na forma de fusões e aquisições, Schalka afirmou que espera que as empresas do setor reduzam capacidade por causa dos preços mais baixos de papel e celulose.

"Claramente há um excesso de capacidade que o mercado é incapaz de absorver", disse Schalka durante evento do setor promovido pela Risi.

A combinação de queda nos preços da celulose e a valorização do real contra o dólar teve um efeito negativo para a Suzano no segundo trimestre, que viu o retorno sobre capital investido cair para 10 por cento ante 21 por cento no mesmo período do ano passado. Segundo o executivo, isso é insuficiente para uma indústria de capital intensivo operar em um país com altas taxas de juros.

A Suzano avalia que a combinação de disciplina financeira, diversificação de portfólio e controle de fornecedores vai ajudar a companhia a passar pelas turbulências.

OFERTA

A crescente capacidade de produção da China de papel e tissue (papel para fins sanitários) continuará a impulsionar a demanda por celulose. No entanto, também é esperado que a oferta internacional de celulose cresça, mantendo a pressão de baixa sobre os preços do insumo nos próximos dois anos, disse Barbara Mattos, analista sênior de crédito da Moody's Investors Service, durante o evento.

A Moody's espera que a produção global de celulose alcance 70 milhões de toneladas em 2018, contra uma estimativa de 63 milhões de toneladas no fim de 2016. Os preços da celulose serão particularmente afetados em 2017 conforme Klabin, Asia Pulp & Paper, Fibria e Metsa irão expandir a produção no Brasil, Indonésia e Finlândia, em cerca de 7,5 milhões de toneladas, disse a Moody's.

(Por Ana Mano)