Importação de cacau pelo Brasil dispara e indústria quer amêndoa da Costa do Marfim

quarta-feira, 17 de agosto de 2016 14:40 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - As importações de amêndoas de cacau pelo Brasil deverão atingir neste ano cerca de 80 mil toneladas, ante 11 mil toneladas no ano passado, aumentando os custos do setor após uma expressiva quebra de safra pela seca na Bahia, afirmou o diretor-executivo da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Eduardo Bastos.

"É muita coisa essa importação, para nós é ruim porque é sempre melhor se abastecer com safra interna, (para importar) tem que fazer compras seis meses antes...", disse Bastos em entrevista à Reuters, ressaltando que o Brasil já importou quase 50 mil toneladas até o momento no ano.

A safra do país foi estimada pela AIPC em 150 mil toneladas na temporada 2016/17, queda de quase 30 por cento ante a temporada anterior, com perdas expressivas no principal Estado produtor do Brasil, um dos maiores consumidores globais de chocolate em volumes.

A estiagem foi tão severa na Bahia que provocou a morte de lavouras, o que terá impacto na produção dos próximos anos e consequentemente manterá as importações mais altas do que as cerca de 10 mil toneladas registradas nos últimos anos.

"O volume a ser importado (nos próximos anos) dependerá muito das próximas safras, mas esperamos redução pelo menos para a metade (do importado neste ano)", disse Bastos, da AIPC, que tem entre as associadas grandes companhias multinacionais como Olam, Cargill e Barry Callebaut.

Isso significaria importações de aproximadamente 40 mil toneladas ao ano até que a cultura possa se recuperar da severa estiagem.

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