Dólar firma alta ante real por BC e preocupações locais, apesar de exterior

quinta-feira, 18 de agosto de 2016 13:59 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar firmou-se em alta e aproximava de 3,25 reais nesta quinta-feira, com incertezas sobre o ajuste fiscal no Brasil e a estratégia de atuação cambial do Banco Central ofuscando expectativas de que os juros não devem subir tão cedo nos Estados Unidos, que levava a moeda norte-americana a recuar nos mercados externos.

Às 13:58, o dólar avançava 0,87 por cento, a 3,2395 reais na venda, após chegar a 3,2432 reais na máxima e cair a 3,2002 reais na mínima do dia. O dólar futuro subia cerca de 1 por cento no início desta tarde.

"Com a atuação mais pesada do BC e as especulações sobre o fiscal nos últimos dias, o real tem tido desempenho pior que as outras moedas. E hoje, o mercado desviou o foco para o (cenário) local", disse o estrategista de um banco internacional.

O BC vem mantendo sua estratégia de vender diariamente 15 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, desde que aumentou a oferta na semana passada, sobre 10 mil contratos diários até então. O reforço na intervenção contribuiu para tirar o dólar das mínimas em quase um ano atingidas neste mês.

Declarações do presidente interino Michel Temer levaram alguns a apostar que o governo almejaria evitar quedas maiores do dólar, mas o presidente do BC, Ilan Goldfajn, tem defendido o respeito ao câmbio flutuante.

Investidores também continuavam à procura de pistas sobre a trajetória do ajuste fiscal brasileiro.

De maneira geral, o mercado vem minimizando a importância dos recuos do governo em sua campanha para aprovar medidas de austeridade no Congresso Nacional, apostando que a postura tende a enrijecer quando o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff for aprovado, em julgamento que começa em 25 de agosto.

O quadro local levou o mercado brasileiro a descolar-se dos mercados externos, onde o dólar perdia terreno em meio a apostas de que os juros norte-americanos não devem subir neste ano.   Continuação...