18 de Agosto de 2016 / às 20:17 / um ano atrás

Seca deve manter preço spot da energia alto e reduzir perdas de distribuidoras

SÃO PAULO (Reuters) - A profunda seca vista no Nordeste neste ano deve manter elevados os preços spot da eletricidade, o que contribuirá para reduzir perdas financeiras de distribuidoras de energia, que devido à retração da demanda têm vendido sobras no mercado de curto prazo por valores abaixo do custo.

Uma queda menor que a prevista inicialmente no consumo já havia levado comercializadores de energia a prever um salto em setembro nos preços spot, ou Preços de Liquidação das Diferenças (PLDs), e a situação hídrica preocupante do Nordeste deve ajudar a manter essa elevação, ao reduzir a oferta de energia de hidrelétricas da região.

A situação beneficiará as distribuidoras porque elas só podem negociar os excedentes contratuais no mercado spot, mesmo que a operação gere prejuízo.

Os contratos de compra de energia das distribuidoras têm um custo médio na casa dos 185 reais por megawatt-hora, ante um PLD atual de cerca de 117 reais. Entre abril e maio, a diferença chegou a ser ainda maior, com o PLD médio entre 30 e 50 reais por megawatt-hora.

Mas em setembro as projeções das comercializadoras de energia Comerc e Iguaçu Energia apontam para um PLD acima dos 200 reais por megawatt-hora.

"Isso é extremamente saudável para o caixa das distribuidoras", afirmou o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, à Reuters. "Mesmo com a sobra, se o PLD ficar perto de 200 reais, elas (distribuidoras) ficam sem prejuízo."

PREÇO SEGUE ALTO

Segundo as comercializadoras, o consumo maior e a seca no Nordeste deverão manter o PLD em patamares elevados também no próximo ano, a não ser que venha um período chuvoso extremamente favorável.

"Esse estresse hídrico, especificamente no Nordeste e no Norte um pouco, faz com que se tenha necessidade de despachar termelétricas (o que eleva os preços spot)", afirmou o gerente de Regulação da Safira Energia, Fábio Cuberos.

Segundo dados da Thomson Reuters, tanto o armazenamento de água nos aquíferos do Brasil e nos reservatórios das hidrelétricas quanto as afluências estão bastante abaixo da média histórica atualmente, o que significa que um nível de folga energética suficiente para derrubar os preços pode estar distante.

"Isso se traduz em uma recuperação mais difícil dos reservatórios", afirmou o analista de energia da Thomson Reuters, Claudio Vallejos.

A Comerc vê o PLD entre 100 e 200 reais em 2017, ante projeções anteriores que apontavam preços na casa dos 30 reais em boa parte do ano que vem.

Vlavianos, da Comerc, destacou que o problema do excesso de eletricidade das distribuidoras ficou mais próximo de uma solução final após o governo ter revisto regras para reduzir as sobras de energia a partir de 2017, ao retirar das empresas a obrigação de recontratar energia em leilões.

"A situação delas praticamente se resolve", disse.

REALISMO AJUDA

Um dos pontos que também deverá contribuir para a alta dos preços spot de energia é a mentalidade da nova equipe do Ministério de Minas e Energia, que no governo interino de Michel Temer tem prometido um viés mais realista nos custos da eletricidade.

Nos últimos anos, em diversas ocasiões foram acionadas termelétricas para ajudar na segurança do sistema sem que isso tivesse reflexo nos preços spot --o chamado despacho "fora da ordem de mérito", que os especialistas acreditam que não deverá mais ocorrer.

Quando não há termelétricas ligadas fora da ordem de mérito, o PLD reflete o custo de operação da próxima usina necessária para atender a carga.

"O PLD estava baixo, mas não refletia a realidade. O realismo tarifário é bom", afirmou Cuberos, da Safira.

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