ENFOQUE-China mira setor elétrico do Brasil com cheque em branco, mas cautela oriental

sexta-feira, 19 de agosto de 2016 15:26 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Companhias chinesas continuam com imenso apetite pelo setor elétrico do Brasil, no qual já caminham para a liderança em alguns negócios, mas o cheque em branco dado por Pequim para aquisições no país não significa que as gigantes orientais farão qualquer negócio ou pagarão preços excessivos pelos ativos.

Prova disso foi o desinteresse na privatização da distribuidora goiana Celg-D --às vésperas do cancelamento do leilão nesta semana, mercado e governo especulavam se o interesse da chinesa State Grid poderia salvar um fracasso que se desenhava conforme investidores brasileiros criticavam o preço da elétrica.

Segundo as empresas e especialistas próximos, equipes da State Grid e de sua compatriota China Three Gorges (CTG) têm analisado em detalhes cada tentativa de venda de ativos no setor de energia, mas na vantajosa posição de quem tem caixa e tempo para escolher os melhores negócios.

"Os chineses estão com maior apetite pelo risco-Brasil, o que não quer dizer que não olhem os riscos com muita atenção... evidente que eles aceitam um retorno um pouco mais baixo que o investidor brasileiro, mas também não estão rasgando dinheiro", disse o sócio da consultoria Upside Finance, Humberto Gargiulo, que já apoiou a State Grid antes em leilões de transmissão.

Ele comentou que a companhia faz detalhadas análises financeiras e analisa todos os riscos, principalmente o cambial, dadas as receitas em reais das concessões em energia.

O avanço rumo ao exterior tem como pano de fundo o interesse em criar mercados para fabricantes de equipamentos e empresas de engenharia chinesas, além de aumentar a influência global de Pequim. No Brasil, o interesse é maior ainda devido às características do sistema, que guarda semelhança com o chinês por recorrer a grandes hidrelétricas e imensas linhas de transmissão.

"Nós temos o objetivo de ser um player relevante, mas para crescer nós precisamos que isso faça sentido, depende das oportunidades no mercado... há muitas oportunidades e potenciais compras que estamos analisando", afirmou à Reuters o presidente da CTG Brasil, Li Yinsheng.

De acordo com o executivo, a companhia tem uma equipe de seis pessoas no país e mais especialistas na China que analisam negócios o tempo todo, e que não há limites ou metas pré-definidas para os investimentos no Brasil.   Continuação...