Roubos de café aumentam em MG com ação de múltiplas quadrilhas armadas

sexta-feira, 19 de agosto de 2016 17:44 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os violentos e crescentes casos de roubos de café no Sul de Minas Gerais são resultado da ação de diversas quadrilhas, que podem estar migrando de outros ramos criminosos em busca de lucro fácil com a venda do grãos, cujos preços têm batido recorde, segundo levantamento da Polícia Civil mineira ao qual a Reuters teve acesso.

"Não é um grupo só fazendo tudo. São fatos independentes nas várias cidades", disse o delegado Braulio Stivanin Jr., chefe do Departamento de Poços de Caldas, que abrange 55 municípios no Sul e no Sudoeste de Minas.

O departamento passou a centralizar os registros de roubos e furtos de café este ano, devido a um aumento na violência das ações criminosas. Desde o início do ano, foram 25 crimes envolvendo café na região, com a subtração de 3.400 sacas de 60 kg.

Pelo preço médio de 500 reais por saca, esses furtos e roubos provocaram prejuízo de mais de 1,7 milhão de reais aos cafeicultores.

Levantamento semelhante não era feito em anos anteriores, uma vez que os casos eram menos violentos e sempre investigados separadamente pelas delegacias em cada cidade. Ainda assim, está claro que houve um forte aumento no número de crimes em 2016, segundo a polícia.

É possível que quadrilhas que até recentemente atuavam em outros tipos de delitos tenham migrado para o roubo de café, devido à fragilidade da segurança das fazendas e das possibilidades de boa rentabilidade, salientou o delegado.

A safra de café arábica em Minas Gerais está próxima do fim e por isso a presença de grandes volumes nas fazendas é comum. Em geral os grãos recebem um primeiro beneficiamento nas propriedades e ficam armazenados em galpões até que sejam levados de caminhão para armazéns centrais de cooperativas e compradores.

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