ENTREVISTA-EDP Brasil estuda entrar em transmissão de energia no país; avalia leilão

segunda-feira, 22 de agosto de 2016 16:13 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A EDP Brasil, controlada pelo grupo português EDP, avalia expandir para transmissão de eletricidade sua atuação no país, onde já investe em geração e distribuição, o que poderia ser concretizado com a participação da companhia no próximo leilão de linhas de energia, agendado pelo governo para 2 de setembro, afirmou à Reuters nesta segunda-feira o presidente da elétrica.

A companhia também está atenta a oportunidades de aquisições. De acordo com o presidente, Miguel Setas, a EDP Brasil pode avaliar a possibilidade de exercer o direito de preferência para comprar fatias da Eletrobras em usinas nas quais as empresas são parceiras, caso a estatal decida vender ativos, uma possibilidade que tem sido aventada pelo governo.

Outro ativo no radar da companhia é a distribuidora de energia paulista AES Eletropaulo, que é apontada no mercado como possível alvo de venda pela norte-americana AES, que tem falado em focar os negócios no Brasil em geração e serviços.

"Mas ainda é cedo para falar, são processos que ainda não foram abertos... é pura especulação", ressaltou Setas, ao comentar sobre o possível interesse nesses negócios.

Ele ressaltou, no entanto, que a EDP Brasil não pretende disputar eventuais leilões de privatização de distribuidoras de energia da Eletrobras, que decidiu vender suas sete subsidiárias no segmento, a começar pela goiana Celg-D, cujo leilão chegou a ser agendado mas não aconteceu por falta de ofertas dos investidores.

De acordo com Setas, as características dessas distribuidoras se encaixam melhor no perfil de negócios de outras empresas do setor, e não da EDP Brasil.

Mas esse não seria o caso da Eletropaulo, cuja concessão faz fronteira com a área de concessão da EDP Bandeirante, que atende as regiões do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral norte de São Paulo.

"Tem sinergias. Mas por enquanto não existe nenhum movimento concreto (por parte da AES para vender a companhia)", disse Setas.