Colômbia busca máquinas para colheita de café devido à escassez de trabalhadores

terça-feira, 23 de agosto de 2016 16:17 BRT
 

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia busca implementar o uso de máquinas para colher sua lavoura de café e solucionar definitivamente seu eterno problema de mão de obra que, a cada ano, põe em risco as metas de produção e exportações, disse nesta terça-feira o gerente da Federação Nacional de Cafeicultores.

Os produtores da Colômbia, o terceiro maior produtor mundial de café atrás do Brasil e do Vietnã, buscam atualmente cerca de 60 mil pessoas para colher o grosso da colheita de 2016 entre setembro e outubro.

O crescimento da cafeicultura na Colômbia superou a capacidade de mão de obra, ao que se somou o deslocamento das áreas rurais para as cidades devido ao conflito armado e à expansão de cultivos de café ao sul do país, região que antes fornecia coletores às zonas tradicionalmente produtoras.

"Tudo isto põe a cafeicultura em déficit em termos de mão de obra para a colheita", disse em entrevista à Reuters Roberto Vélez, gerente da Federação Nacional de Cafeicultores.

Embora a Colômbia tenha registrado um desemprego nacional de 8,9 por cento e de 10,2 por cento em nível urbano para junho, os produtores de café recorrem, a cada ano, a anúncios na rádio para conseguir coletores.

Nos dois meses de pico da colheita, uma pessoa pode ganhar ao redor de 1.400 dólares livres como coletor de café e recebe o alojamento e a alimentação sem custo. O valor supera de longe o salário mínimo mensal de 245 dólares que recebe um trabalhador na Colômbia.

Mas ainda assim Vélez reconheceu que a incorporação de mão de obra é difícil.

"A ajuda tem de vir do lado da tecnologia. Estamos fazendo trabalhos, estudos, reuniões... para ver o que podemos pensar, o que podemos trazer, o que há de novo e o que poderia ser feito para tornar a cultura mais produtiva e menos dispendiosa", disse ele.

Embora o Brasil use máquinas para colheita em boa parte dos cafezais, altos custos e terrenos montanhosos em áreas de café na Colômbia dificultam o uso de tal tecnologia, de acordo com especialistas.

Mas o representante do setor disse que pretende fazer uma máquina de colheita para "a la Colômbia".

(Por Luis Jaime Acosta e Julia Symmes Cobb)