Dólar sobe 1% ante real com expectativa sobre juros maiores nos EUA

terça-feira, 23 de agosto de 2016 17:43 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de 1 por cento frente ao real nesta terça-feira, após dados mais fortes que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos alimentarem expectativas de alta de juros neste ano e depois do cancelamento de audiência pública com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no Senado.

Assim como na sessão anterior, o volume de negócios foi baixo, com operadores evitando grandes apostas antes do início do julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, na quinta-feira, e do discurso da chair do Federal Reserve, banco central norte-americano, Janet Yellen, no dia seguinte.

O dólar avançou 1,00 por cento, a 3,2335 reais na venda, após chegar a 3,2367 reais na máxima e a 3,1849 reais na mínima do dia. O dólar futuro subia cerca de 0,90 por cento no fim desta tarde.

"Houve um movimento global de alta do dólar hoje, potencializado pelos dados dos EUA, e o Brasil ficou refém disso", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Apesar da alta dos preços do petróleo, o dólar fortalecia em relação às principais moedas emergentes após as vendas de novas moradias nos EUA atingirem o maior patamar em quase nove anos em julho.

O peso mexicano, em especial, sofreu fortemente nesta sessão, golpeado também pela decisão da Standard & Poor's de piorar a perspectiva para a nota de crédito do México.

Operadores vêm debatendo intensamente a possibilidade de o Fed elevar os juros neste ano, que vem ganhando força diante de declarações otimistas de diversas autoridades do banco central norte-americano.

Investidores voltarão a calibrar essas apostas na sexta-feira, quando Yellen falará em conferência de bancos centrais em Jackson Hole, nos EUA. Juros norte-americanos mais altos podem pressionar moedas emergentes, que costumam atrair recursos externos com rendimentos elevados.   Continuação...

 
Notas de real e dólar vistas em casa de câmbio no Rio de Janeiro.     10/09/2015        REUTERS/Ricardo Moraes