Baixa qualidade de milho da Conab limita vendas em leilões em momento de escassez

terça-feira, 23 de agosto de 2016 18:25 BRT
 

(Texto atualizado com comentários da Conab)

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os mais recentes leilões de milho de estoques públicos, que segundo o Ministério da Agricultura serviriam como um termômetro do mercado, tiveram um baixo grau de interesse por problemas na qualidade dos lotes e não porque a demanda pelo grão estaria baixa, disseram agentes do mercado nesta terça-feira.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ofertou nesta terça 50 mil toneladas de milho em Mato Grosso, sendo que 52,4 por cento não foram vendidos.

Em um leilão em 9 de agosto, 68 por cento das 50 mil toneladas de milho não foram vendidas.

O detalhamento dos negócios publicado pela Conab mostra que a maior dificuldade está sendo vender lotes localizados em armazéns credenciados no município de Ipiranga do Norte, perto de Sinop, no norte de Mato Grosso. Ao todo, os leilões do governo ofertaram 31,7 mil toneladas de milho no município, com índice de sucesso de apenas 28 por cento, o que afetou dramaticamente a média dos certames.

O gerente da unidade de uma trading internacional que opera na região disse à Reuters que uma pequena parte daquele milho de Ipiranga do Norte já havia sido vendida anteriormente, e o comprador recebeu um produto de baixa qualidade, com "alto índice de fermentação", o que torna o produto impróprio para a maior parte dos usos na ração animal.

"O pessoal, sabendo desse problema, nem teve interesse", disse ele sob condição de anonimato.

Todos os lotes que tiveram baixo interesse nos dois leilões, em diversos municípios de Mato Grosso, foram de grãos da safra 2012/13, portanto com cerca de três anos de idade, segundo os detalhes publicados pela Conab.   Continuação...