Sobre fim de isenção de tributos para etanol, Blairo diz que governo precisa arrecadar

quarta-feira, 24 de agosto de 2016 14:07 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta quarta-feira que as discussões sobre o fim da isenção do PIS/Cofins para o setor de etanol não cabem a sua pasta, mas lembrou que as avaliações sobre a continuidade ou não do apoio ao setor ocorrem "em um governo que precisa arrecadar".

"Eu faço parte de um governo que precisa arrecadar. Se eu pudesse baixar todos os impostos, eu defenderia sem receio, mas se não tiver arrecadação, não temos condições de manter o governo", afirmou o ministro.

O setor conta com isenção dos tributos desde 2013, mas o período do benefício se encerra em dezembro deste ano e não há sinais dentro do governo de que será renovado.

A indústria de etanol argumenta que, sem a isenção, o litro do combustível na bomba aumentaria em 12 centavos de real por litro, afetando sua competitividade com a gasolina.

No entanto, a equipe econômica estaria contando com esse recurso extra para o orçamento anual, uma arrecadação que chegaria a 1,5 bilhão de reais, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

Antes de ressaltar que o governo precisa arrecadar, Blairo Maggi usou justamente o setor do etanol como exemplo do que havia falado mais cedo, quando afirmou que subsídios permanentes "atraem a incompetência".

"Etanol reclama que precisa de subsídio do governo. Ora, uma atividade tão importante precisar de subsídio permanentemente não é seguro para ninguém", afirmou, lembrando que os subsídios devem ser para "determinados momentos".

De acordo com Maggi, as empresas da área deixaram de ter produtividade na produção da cana-de-açúcar.

"Para ter eficiência precisa produzir muita cana. É lá que está a origem do lucro. Essas empresas não entenderam o processo agronômico e perderam produtividade", disse o ministro, acrescentando que, se o governo subsidiá-las, a produção nunca irá aumentar.   Continuação...