ENTREVISTA-Seca pode reduzir produção de hidrelétricas do Nordeste até fim de 2017, diz ONS

quarta-feira, 24 de agosto de 2016 15:29 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma seca histórica no Nordeste, que registra neste ano as menores afluências desde 1931, poderá obrigar o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a reduzir até o final de 2017 a vazão das hidrelétricas de Sobradinho e Xingó, no rio São Francisco, o que reduziria a oferta de energia na região e poderia exigir mais uso de termelétricas e impactar preços.

O diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, disse à Reuters nesta quarta-feira que uma recomendação para a redução da vazão defluente dessas usinas a partir de setembro, para 700 metros cúbicos por segundo (m³/s) ante 800 m³/s atuais, já foi feita pelo ONS.

Com uma menor vazão, é possível segurar mais água nos reservatórios, que além de produzir energia também servem a atividades de irrigação e ao consumo urbano de água na região, entre outros usos.

Até 2013, quando as chuvas começaram a piorar no Nordeste, a vazão mínima nessas hidrelétricas era de 1.300 m³/s.

"Se continuarmos com 800 m³/s, chegamos até o final do ano que vem abaixo do limite do volume morto do reservatório", afirmou Barata, que prevê que a operação em 700 m³/s pode durar até dezembro de 2017.

Ele explicou que a decisão pela mudança na operação das usinas é de governo, uma vez que envolve consulta a outros órgãos, como o Ministério do Meio Ambiente e da Integração Nacional.

O objetivo da medida não é preservar a geração de energia, mas sim garantir água para todos que dependem dos reservatórios da região. Para o setor elétrico, o efeito da medida seria uma menor oferta de energia hídrica no Nordeste, o que teria que ser suprido com outras fontes, provavelmente as termelétricas, que têm custo de operação maior.

O acionamento de termelétricas pode também elevar os preços da energia elétrica no mercado de curto prazo, ou spot, o chamado Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).   Continuação...