BNDES cria linha para compra de ativos de empresas em recuperação judicial

quinta-feira, 25 de agosto de 2016 16:13 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira nova linha de 5 bilhões de reais para fomentar a compra de ativos de companhias em recuperação judicial, extrajudicial, falência ou crise por empresas saudáveis.

Em coletiva de imprensa, a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, afirmou que a linha entrará onde o mercado privado não está atuando, sendo que não envolverá subsídios do Tesouro e será constituída por recursos que o BNDES já tem.

O chamado Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos irá vigorar até 31 de agosto de 2017 e contará com taxa de juros referenciais de custo de mercado e/ou custo financeiro equivalente ao eventual crédito já preexistente do BNDES.

"Buscamos como o banco poderia atuar de forma a preservar a atividade econômica, incentivar a atividade econômica e preservar empregos", disse Maria Silvia, chamando a atenção para o volume expressivo de empresas que entraram em recuperação judicial no primeiro semestre, de 923 companhias, aumento de quase 90 por cento sobre igual período de 2015.

Questionada se a linha não seria muito modesta, tomando como exemplo a problemática situação da operadora de telecomunicações Oi --cuja dívida ultrapassa 65 bilhões de reais e pediu recuperação judicial em junho--, Maria Silvia afirmou que o BNDES irá avaliar o tamanho do programa em função da demanda, destacando ainda que o crédito não será ofertado para as empresas em dificuldades, mas para aquelas que queiram comprar seus ativos.

O BNDES também anunciou a ampliação da linha voltada a capital de giro por meio da extensão do prazo e reforço orçamentário ao Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren), cujo orçamento total passa a ser de 10 bilhões de reais. Deste total, 6 bilhões de reais já foram empenhados e o programa foi prorrogado até 31 de dezembro de 2017.

No âmbito das mudanças, as taxas de juros do Progeren também foram reduzidas, passando a 16,61 por cento ao ano para as grandes empresas, com faturamento acima de 300 milhões de reais, sobre 17,11 por cento antes.

(Por Marcela Ayres)

 
Presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, discursa em sua cerimônia de posse no Rio de Janeiro
01/06/2016 REUTERS/Ricardo Moraes