Após impeachment, mercado financeiro quer ver maior força política de Temer

quinta-feira, 25 de agosto de 2016 18:36 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado financeiro já dá como certo que o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff será confirmado e continua otimista com a austeridade fiscal prometida pelo hoje presidente interino Michel Temer, mas quer ver demonstração de maior força política ainda neste ano, como a aprovação da proposta que limita o crescimento dos gastos públicos.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a percepção nas mesas de operação é que a relação do governo Temer com o Congresso Nacional será turbulenta, mas suficiente para garantir a aprovação do cerne do ajuste fiscal. Há, porém, risco importante de decepção.

"(O mercado) vai precisar de uma sinalização bem forte no segundo semestre deste ano de que o teto de gastos vai passar e que haverá uma ação significativa de reforma da Previdência no ano que vem", afirmou o estrategista da corretora Nomura Securities João Pedro Ribeiro.

"O governo tem uma janela de oportunidade até as eleições de 2018 para aprovar reformas importantes. Trabalhamos com o cenário de que isso é possível e até provável, mas o governo não tem 18 meses de carta branca", acrescentou.

A luz amarela no mercado veio das recentes dificuldades que Temer vem enfrentando para aprovar medidas no Legislativo, pelas quais já abriu mão de pontos importantes. Exemplo é a renegociação da dívida dos Estados com a União, que previa como contrapartida dos governadores o veto a aumentos aos servidores públicos locais e que foi retirada do projeto.

Desde que assumiu interinamente a Presidência em maio, Temer adotou como carro-chefe para a recuperação econômica a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita por 20 anos o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior. Diante das dificuldades políticas, cresceu também a preocupação dos agentes financeiros de que Temer não consiga tocar adiante importantes reformas, como a da Previdência.

Muitos no mercado acreditam, porém, que ele deve adotar uma postura mais dura nas negociações após a confirmação do impeachment de Dilma.

"Um governo interino tende a ser mais político, mais flexível nas negociações", afirmou o tesoureiro-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, para quem o dólar terminará o ano a 3,10 reais, abaixo dos cerca de 3,25 reais hoje.   Continuação...

 
Presidente interino Michel Temer durante cerimônia de recepção da Chama Paralímpica no Palácio do Planalto, em Brasília
25/08/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino