26 de Agosto de 2016 / às 22:32 / um ano atrás

Yellen vê hipótese mais forte para aumento dos juros

Chair do Federal Reserve, Janet Yellen, fala ao comitê bancário do Senado norte-americano em Washington 21/06/2016. REUTERS/Carlos Barria

JACKSON HOLE (Reuters) - O Federal Reserve está se aproximando de um outro aumento na taxa de juros, afirmaram nesta sexta-feira a chair do banco central norte-americano e outras autoridades monetárias, em comentários que deixaram a porta aberta para uma elevação que pode ocorrer já no próximo mês.

A chair do Fed, Janet Yellen, disse em uma conferência global de política monetária que a hipótese de aumento de juros tem ganhado força, enquanto o vice-chair do Fed, Stanley Fischer, sugeriu que uma investida pode ocorrer já na reunião do Fed de setembro, caso a economia esteja em boa forma.

Apesar de dados divulgados mais cedo nesta sexta terem apontado que a economia dos EUA cresceu de forma lenta no segundo trimestre, Yellen destacou que um grande número de empregos está sendo criado e que o avanço da atividade deve continuar em ritmo moderado.

“Acredito que a hipótese de aumento da taxa de juros tem ganhado força nos últimos meses”, disse Yellen em discurso feito em conferência anual do Fed em Jackson Hole, Wyoming.

Yellen disse que o BC dos EUA já acredita que a economia está se aproximando das metas de pleno emprego e estabilidade de preços. Ela também descreveu os gastos dos consumidores como sólidos, mas notou que o investimento empresarial está fraco e que as exportações estão sendo negativamente afetadas pelo dólar forte.

Contudo, Yellen não indicou o que o Fed precisa ver antes de elevar a taxa de juros. Após suas declarações, investidores mantiveram apostas em chances mais ou menos iguais de um aumento nos juros na reunião de dezembro do Fed.

“Ela manteve a porta aberta para um aumento mais cedo do que mais tarde”, disse a estrategista de renda fixa do Société Générale em Washington Subadra Rajappa.

Em uma entrevista para a CNBC após a fala de Yellen, Fischer, o número 2 do Fed, disse que as declarações da chair do BC eram um sinal do quão perto o Fed pode estar em relação ao aumento da taxa de juros, se os dados continuarem a apontar uma melhora no cenário econômico.

Questionado se as pessoas deveriam esperar um aumento da taxa de juros em setembro e mais de um antes do fim do ano, ele respondeu: “Eu acho que o que a chair disse hoje foi consistente para responder sim a ambas as perguntas, mas não são coisas que sabemos até que vejamos os dados.”

O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, também disse nesta sexta-feira que duas altas da taxa eram possíveis este ano, e a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, defendeu uma alta em breve para evitar ficar atrás da curva na inflação.

Diante das declarações das autoridades do Fed, o dólar subiu em relação a uma cesta de moedas, incluindo o real. A moeda norte-americana encerrou a sessão cotada a 3,2719 reais na venda, alta de 1,25 por cento.

MERCADOS CÉTICOS

Os mercados permaneceram céticos em relação às projeções de alta do Fed em grande parte pela percepção da diferença entre o que o BC norte-americano vem sinalizando e o que efetivamente vem fazendo.

O Fed aumentou a taxa de juros em dezembro pela primeira vez alta em quase e projetou outras quatro elevações em 2016, para depois voltar atrás e vislumbrar apenas duas, na esteira da desaceleração do crescimento global, volatilidade do mercado financeiro e lento progresso em direção à meta de inflação de 2 por cento.

Uma divisão interna no Fed quanto a uma elevação mais cedo ou uma abordagem mais cautelosa também tornou o cenário mais nebuloso.

O diretor do Fed Jerome Powell disse à Bloomberg TV nesta sexta-feira que o Fed poderia se dar ao luxo de ser paciente e que ele gostaria de ver a inflação subir antes da taxa ser elevada.

“Quando virmos a inflação progredir em direção a 2 por cento e fortalecimento do mercado de trabalho e um crescimento forte o suficiente para sustentar tudo isso, devemos aproveitar a oportunidade”, disse Powell.

Além de dezembro, o Fed também tem reuniões de política em setembro e novembro. Os juros futuros, entretanto, mostram que os investidores veem poucas chances de um aumento da taxa em qualquer uma dessas reuniões.

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