Compromisso do Brasil com etanol é questionado após polêmica sobre fim de isenção fiscal

sexta-feira, 26 de agosto de 2016 20:51 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - Especialistas em biocombustíveis e mudança climática questionaram o compromisso assumido pelo Brasil em Paris de quase dobrar a produção de etanol para reduzir emissões de carbono, após críticas feitas pelo ministro da Agricultura e um provável movimento do governo para acabar com uma isenção fiscal para o etanol.

O Brasil se comprometeu no acordo do clima de Paris, em 2015, a aumentar a parcela de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel na matriz energética para 18 por cento até 2030, o que exigirá, de acordo com especialistas, uma produção anual de 50 bilhões de litros de etanol em 2030.

    "Os compromissos brasileiros são bonitos no papel, mas até agora não passam disso: uma declaração", disse o diretor do Instituto de Energia e Meio-Ambiente, André Luis Ferreira.

As críticas de Ferrreira e outros especialistas seguem-se à revelação, na quarta-feira, de que o governo não pretende prorrogar uma isenção do PIS/Cofins nas vendas de etanol que expira em dezembro.

O fim da isenção vai tornar o biocombustível menos competitivo ante a gasolina nas bombas e levar os motoristas a voltar a abastecer com combustível derivado do petróleo, segundo os especialistas.

A indústria brasileira de etanol tem pedido há tempos por um tratamento fiscal diferenciado ante a gasolina, devido aos ganhos ambientais do biocombustível.

"O Estado não precisa gastar um centavo conosco, ele só precisa mostrar que quer mais biocombustíveis e...adotar políticas que reconheçam que nem todos os custos estão refletidos no preço cobrado nas bombas", disse Elizabeth Farina, chefe da associação de indústrias de cana-de-açúcar Unica.

Ela disse que a medida, se confirmada, é outro fator que pode levar usinas a mudar da produção de etanol para açúcar no próximo ano, uma vez que o adoçante já oferece margens bem melhores.   Continuação...